Domingo, Novembro 08, 2009

Corpo de Corcel


Ontem, 07 de Novembro, no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, decorreu o lançamento do livro de poesia “Corpo de Corcel”
Casa cheia e muita emoção ao rubro. Numa tarde para guardar na memória, catalogando-a como uma daquelas tardes de grande estima, onde houve oportunidade de reencontrar muitos dos poetas da nossa praça e escritores da Temas Originais.

Nas fotos podemos comprovar:

Mesa de Honra

Vera Sousa Silva (Apresentadora do livro)
Cristina Pinheiro Moita (Autora do livro “Corpo de Corcel”)
José Fidalgo (Presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira)
Paulo Afonso Ramos (da Editora Temas Originais)

Em pé os poetas:

Lurdes Dias (Autora da Temas Originais)
José Manuel Frazão
Fernanda Esteves (Autora da Temas Originais)
António MR Martins (Autor da Temas Originais)
Mel de Carvalho
Vítor Cintra (Autor da Temas Originais)

Um grande agradecimento a todos que estiveram presentes, em especial, aos que apoiaram na realização deste evento, garantido assim, que tivesse o sucesso que teve.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Homem socialmente enclausurado

Rasgo a emoção
com a mesma força que me defendo
rasgo, revoluciono e atiro contra o chão
esse mesmo chão testemunha dos meus dias.
É que esta emoção mexe comigo
solta-me as lágrimas e invade o meu estado amigo
com peripécias e ousadias.
Rasgo sem medos, mas também sem pensar
sem saber da razão!

E pelo meio da tremenda agitação
há um corpo que se perde
na loucura dos sentimentos
na brandura das imagens inopinadas
e numa aglutinante vergonha
que esconde os olhos amedrontados e molhados
desconfiados dessa vaga que invade o coração.
Ah! Vergonha de sentir
vergonha de ser o corpo da emoção.

Ajuda é preciso
para libertar o homem das correntes sociais
é preciso sentir, chorar e sorrir
ser um homem e nada mais!

Domingo, Novembro 01, 2009

O Novembro chegou!

Acordei entre um ténue vento e uma luminosidade tímida. Ainda era cedo, e olhava para o horizonte para descobrir, as cores e as intenções, com que vestias o Novembro. O Outono faz-me desejar certezas, faz-me auscultar a voz da natureza. Sinto-a parada, entre a tristeza e alegria, numa indecisão que nunca se sabe como acabará.
Este é mais um dia, como tantos outros, que não sabemos como terminará.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Apresentação do Livro de Pedro Barroso


(Foto de José Alex)

Domingo, Outubro 18, 2009

O Músico Pedro Barroso apresenta o seu mais recente livro


Estimados Leitores,

A Sociedade Portuguesa de Autores, o autor, Pedro Barroso, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Contos Anarquistas”, a ter lugar no Auditório Maestro Frederico de Freitas da S.P.A., sito na Avenida Duque de Loulé, 31, Lisboa, no próximo dia 22 de Outubro, pelas 18:30.

Obra e autor serão apresentados por José Fanha.

Após esta sessão haverá um Porto de Honra.

Se puder, apareça!

Saiba mais em:
http://www.temas-originais.pt/
Obrigado.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Amanhã na Póvoa do Varzim


Estimados Leitores,

A autora, Renata Pereira Correia, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Ensaios de Ficção”, a ter lugar na Galeria Filantrópica, sita na Rua 31 de Janeiro, na Póvoa do Varzim, no próximo dia 16 de Outubro, pelas 21:30.

Obra e autora serão apresentadas por Ângelo Vaz.

Esta sessão contará com o momento musical agraciado por Rui T.: "The man without a band", do álbum: "Wings of a butterfly" e pela recitação de poemas do livro "Ensaios de Ficção" por Ângelo Vaz e Maria Escritos.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Cento e onze palavras

Não sei contar as palavras, mas sei que são cento e onze
têm que ser cento e onze, não podem ter outro número
porque são apenas palavras, libertas, perdidas e magoadas
que sofrem de um silêncio transparente que ninguém vê
que ninguém lê, e são sempre palavras, as mesmas palavras
descobertas, fechadas, caídas ou abertas, são sempre as mesmas palavras
feitas do mesmo mistério, do mesmo riso e até da mesma histeria
que brindam cada olhar. Há sempre um novo olhar.
Mas as palavras continuam a ser as mesmas – cento e onze palavras!

Conta comigo as palavras, do princípio até ao fim
conta-as com cuidado, devagarinho, para que não te enganes
e quando as contas, as palavras, sempre as mesmas, estás pertinho de mim
mergulhada na minha secreta essência sem que te apercebas
é que em cada palavra há um bocado de alma e, com calma, talvez a sintas
talvez lhe toques ou oiças o murmúrio do avesso que se esconde assim
tão perto do longe. É que, na verdade, não há longe, mas apenas palavras.
Agarra este papel e guarda-o. Contem a mensagem para mais tarde decifrares
nele, o papel, estão mais que palavras estão os teus caminhos traçados.

Amanhã estarás de novo envolvida nesta mensagem, atordoada, mas não [convencida]
não saberás se contaste cento e onze palavras ou se leste a verdadeira [mensagem]
não te deites por perdida, que ambas encontrarás, nas palavras que têm vida
há muitas que nos enganam, mas só estas cento e onze palavras merecem [homenagem!]

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Evento da Temas Originais para: 16 de Outubro de 2009


Estimados Leitores,

O autor, Gleidston César, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Os sentimentos por detrás das palavras”, a ter lugar no Palácio das Galveias, Lisboa, no próximo dia 16 de Outubro, pelas 19:30.

Obra e autor serão apresentados por Isabel Fontes e esta sessão contará com a leitura de poemas por Alexa Wolf.

Saiba mais em:
http://www.temas-originais.pt/
Obrigado.

Domingo, Outubro 11, 2009

Eventos da Temas Originais para: 17 de Outubro de 2009


Estimados Leitores,

O autor, Paulo Themudo, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro "Um Punhado de Sombras" a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 17 de Outubro, pelas 16.00.

Obra e autor serão apresentados pelo escritor António M. Oliveira.

Esta sessão contará com leitura de poemas por Ângelo Vaz, com acompanhamento musical de Ana João.

e ainda,

Os autores e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro antológico “Tu Cá, Tu Lá” a ter lugar na Manutenção Militar, Rua do Grilo, 111 (Entre a Xabregas e Convento do Beato, pela rua interior onde circulavam os eléctricos), em Lisboa, no próximo dia 17 de Outubro, pelas 16:00.

A obra será apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado.

Saiba mais em:
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Obrigado.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Eventos da Temas Originais para: 10 de Outubro de 2009




Estimados Leitores,

A Temas Originais tem o prazer de o convidar a estar presente na “1.ª Tertúlia “temas Originais”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 10 de Outubro, pelas 15:00.

Este evento contará com a presença especial do poeta e declamador Roberto Durão.

e ainda,




Os autores, Vítor Cintra e Xavier Zarco, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento dos livros “Entre o Longe e o Distante” e “Coimbra ao som da água”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 10 de Outubro, pelas 18:00.

Obras e autores serão apresentados pelos poetas Paulo Afonso Ramos e António MR Martins, respectivamente.

Apareça!

Saiba mais em:
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Obrigado.

Domingo, Outubro 04, 2009

Poema ao Poeta Xavier Zarco

Há um poema
que chora de tanta beleza
que grita entre silêncios
que agita sentimentos
esse mesmo poema bandido
tenso e sofrido
que gira bem dentro de nós.
Oh! Quanta emoção
neste olhar o mar.

É que do poema
sai o olhar enternecido
saem os astros escondidos
as flores mais exóticas
os pensamentos mais exíguos
porque o poema é a outra vida
a outra condição
e a própria razão
que sai do poeta pela própria mão.

Mas antes do poema surgir
teve que existir o poeta Ser
para amar, sorrir e até fingir
fingir ser igual a outro qualquer!


04-10-2009

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Eventos para o dia 4 de Outubro de 2009


Estimados Leitores,

O autor, Paulo Alexandre Gil, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Quimeras Desconcertantes”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 4 de Outubro, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados por Nuno da Câmara Pereira.

e ainda,



O autor, Henrique Pedro, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Angústia, Razão e Nada” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 4 de Outubro, pelas 18:30.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Paulo Afonso Ramos.

Saiba mais em:
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Apareçam!

Obrigado.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Escombros de poeta

Árido do seu caminhar
entre a dor de não chegar
e a nostalgia do partir
anda o poeta perdido
iludido, neste seu mundo, urdido.
E no cântico derrama a lágrima
por sentir-se emotivo
sofre, sorri e ergue o rosto
porque está vivo.

Descreve as ignomínias
de punho cerrado
e com o olhar dependurado
despede-se de cada palavra
que liberta
e nas mutações
alegremente recebidas
festeja com sabedoria
e descreve-o para todos.

Entre estados de alma
que alimentam o seu subsistir
é nas margens do infinito
que o poeta reside.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Lançamento do livro de poesia "Canteiros de Esperança" de Fernanda Esteves


A autora, Fernanda Esteves, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Canteiros de Esperança”, a ter lugar na Sociedade Filarmónica Humanitária, sita na Av. Doutor Godinho de Matos, em Palmela, no próximo dia 26 de Setembro, pelas 16:00.

Obra e autora serão apresentadas pela poetisa Alexandrina Pereira.

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Obrigado.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Lançamento do livro de poesia "Momentos..." de Luís Ferreira


O autor, Luís Ferreira, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Momentos...” a ter lugar na sala Green Room do Freeport, Alcochete, no próximo dia 26 de Setembro, pelas 17:00.

Obra e autor serão apresentados pela Dr.ª Carmo Miranda Machado e esta sessão contará com a actuação do Trio Opus Misique e da SamariTuna – Tuna Feminina da Universidade Lusófona.

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Domingo, Setembro 20, 2009

Lançamento do livro "Ensaios de Ficção" de Renata Pereira Correia


A autora, Renata Pereira Correia, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Ensaios de Ficção” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 26 de Setembro, pelas 16:00.

Obra e autora serão apresentadas pela escritora Elsa Serra e pelo pintor e ilustrador Ricardo Campos.

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Sábado, Setembro 19, 2009

Lançamento do Livro "Sercial & Malvasia" de Joaquim Evónio


O autor, Joaquim Evónio, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Sercial & Malvasia”, a ter lugar na Casa da Madeira, sita na Rua do Alto do Duque, 5, em Lisboa, no próximo dia 25 de Setembro, pelas 19:00.

Obra e autor serão apresentados pelo Dr. José Verdasca, Presidente da Ordem Nacional dos Escritores (Brasil) e pelo próprio, respectivamente. Nesta sessão intervirá Isabel Fontes e actuarão os músicos Mário Fonseca (Pavarotti) e Manuel Antunes.

No final da sessão será servido um Madeira de Honra e Estrelícias para todos os presentes.

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Terça-feira, Setembro 15, 2009

Viana do Alentejo apoia a poesia


O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Estêvão Machado Pereira, a Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo, o autor, José - Augusto de Carvalho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “O Meu Cancioneiro” a ter lugar no Cine -Teatro Vianense, sito em Viana do Alentejo, no próximo dia 19 de Setembro, pelas 21:00.

Obra e autor serão apresentados pela poetisa Conceição Paulino e pelo professor António João Valério.

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Segunda-feira, Setembro 14, 2009

O Poeta Henrique Pedro no Ateneu Comercial do Porto



O autor, Henrique Pedro, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Angústia, Razão e Nada” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 19 de Setembro, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

Lançamento do livro de poesia "Tanto tempo sem nós"


O autor, Samuel Costa Velho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Tanto tempo sem nós”, a ter lugar na Casa do Alentejo, sita na Rua Portas de Santo Antão, 58, em Lisboa, no próximo dia 12 de Setembro, pelas 18:00.

Obra e autor serão apresentadas por João Lemos.

Saiba mais em:

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Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Mário Correia ganha prémio no concurso literário

Mário Correia, autor do livro “Contos de Longa e Semifusa” editado recentemente sob nossa chancela, acaba de ser agraciado na Modalidade de Revelação no prestigiado concurso literário Manuel Maria Barbosa Du Bocage 2009 com o original “A Insónia”.
A Temas Originais congratula-se pela excelente notícia e partilha convosco o link para que todos a possam ler:

http://www.lasa.pt/

Endereçamos os sinceros parabéns ao nosso jovem autor.

Saiba mais em:

http://www.temas-originais.pt/autores/mario_correia.htm


Obrigado.

Temas Originais
Torre Arnado
Rua João de Ruão, 12 - 1.º, Escr. 19
3000-229 Coimbra | Telef: 239 100 670
Site: www.temas-originais.com Blog: http://www.temasoriginais.blogspot.com/

Domingo, Setembro 06, 2009

Lançamento do livro "Série discreta para uma noite" na Maia


O autor, David Fernandes, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Série discreta para uma noite” a ter lugar na Tertúlia Castelense, sita na Rua Augusto Nogueira da Silva, 779, no Castêlo da Maia, Maia, no próximo dia 11 de Setembro, pelas 22:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco. No decorrer da sessão, Aida Soares e Edviges Pinto lerão poemas de George Oppen, Robert Frost, Ruy Belo, Daniel Faria, José Tolentino Mendonça e Joaquim Pessoa.

Sábado, Setembro 05, 2009

Reminiscência

Dos passos dados no tempo
Sem olhar para trás, falta-me o tempo
De agarrar essa paixão
Dos bons momentos
Que na reminiscência se erguem
Quase como vultos, vultos sem fim.

Diz-me sapiência do meu segredo
Qual caminho errei ou onde me perdi
Quando desenhei o esboço para ser feliz!

Sábado, Agosto 29, 2009

O “Diário de Maria Cura” na FNAC de Braga



Estimados Leitores,

O autor, José Ilídio Torres, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro "Diário de Maria Cura " a ter lugar na Loja Fnac Braga, sita no Shopping Braga Parque, Loja 323, Quinta dos Congregadores – S. Vítor, em Braga, no próximo dia 6 de Setembro, pelas 17.00.

Em torno da obra, falarão o autor e o poeta Xavier Zarco.

Saiba sempre mais em:

http://www.temas-originais.pt/
Obrigado.
Temas Originais
Torre Arnado
Rua João de Ruão, 12 - 1.º, Escr. 19
3000-229 Coimbra | Telef: 239 100 670
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Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Voltei

Não sei se são vozes que oiço dentro de mim, ou se são desejos desenhados na curva do meu silêncio. Sei apenas que os sinto, estes sons embrulhados em cadentes atmosferas, que inebriam o meu corpo.
Ah! Quanta loucura há neste invólucro que encadeia a minha alma. Quanta luxúria. Quanta sofreguidão e outros tantos pecados!
Há também uma brutal consciência da separação imperceptível que existe entre ambos – corpo e alma – mesmo que, entre ambos, exista um pacto de compatibilidade.
Não sei se são vozes ou desenhos. Não sei. E, talvez por isso, faça resultar, este meu regresso ao mesmo mar, em que, um dia desapareci.
Voltei. Voltei para me reencontrar e, assim, segurar na lucidez da minha essência, como uma candeia, e iluminar o caminho que devo seguir. Voltei entre as vozes que oiço dentro de mim, que quero descodificar e oferecer-tas como as mais bonitas flores que um dia viste.
Quero agraciar esse momento especial e dizer-te num sussurro de amor – sou teu!
Depois de beijar esse cândido amor, viverei ao teu lado, na paz da fusão dos nossos corpos que darão guarida ao silêncio, desenhado, que, nas nossas curvas, assumiram o nosso génio.
Tu e Eu, outra vez juntos e mais fortes. Foi para isso que voltei. Apagando o interregno que, insensivelmente, foi acontecendo, sem que nos apercebessemos, mas que quase fulminava o nosso mar. As areias, finas, percorrem os nossos corpos e o silêncio que desenha a nossa praia é de maresias exóticas, de algas abençoadas e de aromas salgados que embrulham o nosso amor. Juntos recomeçamos o mundo que temos que construir.

Domingo, Agosto 23, 2009

Temas Originais - Editora

A sua editora. Conheça-nos em:

http://www.temas-originais.pt/index.htm

Sábado, Agosto 22, 2009

Berlengas

pelas legendas
em teu redor
leio a palavra família
e nunca estás só

alvitro a paz
na sapiência de resistir aos homens

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Fogacho

Arde o olhar
num fogo vivo
arde a alma
arde a dor

e em nada morro
e nas cinzas sobrevivo

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Graciosa

pelo olhar meigo
num corpo fértil
que se estende nas lágrimas
da natureza

ondas da história
cruzam teu tempo

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

A dança dos vencidos

Balanceia esse corpo
no espaço do futuro
numa dança sem memória
e no rosto duro
escondido nas tranças
arfa – o silêncio do sopro
da tua história
dança no sorriso
desse olhar brilhante
reflectido no acreditar
que – nada está perdido.

Sábado, Agosto 15, 2009

Laços que perduram

Nada me ocorre dizer-te. Nada que não o sintas também. O tempo já fez o nosso escrínio, onde guardamos as nossas aventuras em segredo e coleccionamos as preciosidades da nossa relação. Enfim, coisas nossas, só nossas, muito nossas. Nada me ocorre dizer-te mais, porque sei que, no final do dia, quando nos reencontrarmos, os nossos olhos trocarão mensagens de amor e de plena consciência que nós somos indivisíveis.
Gasto o tempo da tua ausência com os meus pensamentos do nosso amor, e, ainda assim, sei que os anos passaram sem que nada mudasse. Nunca to disse. Nem ouvi da tua boca o mesmo, mas sei, não me perguntes como, sei que o mesmo acontece contigo. Simplificando as coisas, direi que sinto e que tu sabes, porque na nossa cumplicidade existem vários ramos que fortalecem a nossa árvore. Este é apenas um deles.
Não sei quanto tempo o tempo dará ao estar, nem importa, sabendo que todo o tempo não foi em vão.
Nestes laços que perduram, um eterno obrigado, é tudo o que preciso de acrescentar.

A tua Aurora

14 de Agosto de 2066

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Um quadro paralelo

Um caminho de terra batida, ente árvores gigantes, sem fim. A brisa, que empurrava o meu corpo, fazendo-me caminhar na direcção ao desconhecido. As árvores, que me cumprimentavam ao acenarem levemente. E eu, perdidamente esquecido do tempo, acumulava os passos por contar na busca do mistério desse caminho.
O sol, meu aliado, dava-me algum alento, recordo, que através da luz iluminava o meu trilho.
De nada mais recordo. Não sei como tudo começou nem de onde vim. Não sei do propósito com que iniciei, nem tão-pouco como aqui cheguei. Um caminho, é tudo o que tenho, de terra batida entre árvores gigantes, e por instantes, deixo-me cair no vazio da memória. Nada acontece. Nada. O caminho e as árvores permanecem imutáveis. E eu, um louco extravagante invento histórias para atrair a vida.

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Na essência da ideia

Imaginei um personagem perdido no tempo de ninguém e criei-lhe uma história. Ou imaginei uma história e precisei de uma personagem. Alguém revoltado com a vida, só porque, no amor, não encontrou ainda a sua cara-metade e, na revolta, desfere a sua ira aos quadrantes sociais que os seus olhos alcançam. Que se predispõe a mudar o mundo, através dos seus actos negativos e recriminatórios, mesmo que não repare que existem coisas imutáveis. Que importa se a revolta o cega e o acusa através dos actos maliciosos e nem dá por isso. Que o amor chegue depressa para que o mundo tenha as suas cores como respostas aos seus olhos.

Não pensei em ninguém, mas sei que pode haver alguém assim. E quis que tudo acontecesse num poema. Claro que cada poema pode ter inúmeras interpretações e que, normalmente, o autor não prefacia o que a seguir mostra, para não condicionar a leitura. Mas, ainda assim, não resisti. Escrevi primeiro o poema e depois senti a necessidade de escrever mais e mais até que, eis o que se vê, talvez em vez do poema devesse ter escrito uma prosa poética ou melhor, um pequeno conto. Talvez. Mas não! Escrevi um poema e reforcei-o com um prefácio para algemar o leitor à essência da ideia. Da minha ideia. É assim que, de uma forma desprendida, abro a escrita na essência desta ideia ou na essência deste poema ou deste personagem existente. Desde que seja na essência tanto me faz!
E então escrevi o seguinte poema:



Na essência da ideia

Se o céu é azul, queres pinta-lo de verde
se o mar é verde, queres tingi-lo de amarelo
se a dor é branca, queres desenha-la de preto

e nas cores escreves o teu nome
sem que saibas – desenhas o teu rosto
e pintas a tua mão

não que sejas inferior
nem que esse corpo seja óbice
apenas há uma essência,
na noção da tua ideia
apenas e só – queres amor
o amor de seres correspondido.

Terça-feira, Agosto 11, 2009

No âmago do pensamento

É na paz que adormeço o olhar
nesse manto de sentimentos silenciosos,
apetecidos, e sempre bem guardados

e no sonho, faço a viagem do querer
quero chegar longe – e chego
quero estar perto – e estou

e no olhar dessa paz
que esse corpo desnudo desperta
nasce cada dia,
e em cada dia renasce a noção
da verdadeira razão de ser
que é - saber dar e receber.

Sábado, Agosto 08, 2009

Adeus Raul Solnado

Romperam-se as vozes
no silêncio árduo
dessa despedida

Adeus!

Para memória futura
entre imagens e sons
imerge o riso
esse talismã
que os portugueses guardam

Adeus Raul Solnado

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Brunidos

Cadenciado o rosto
solta labaredas
de incensos

o desenho prosaico da alma
rodopia no tempero da emoção

corpo erudito que emerge do chão
para recomeçar cada gesto
em cada tempo

celso!

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Cerne

E de repente fez-se silêncio!
Era a consciência que gritava
na espuma desse olhar perdido
transladado de fantasmagorias

De repente a luz era intensa
e a sombra um corpo estendido.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Na dúvida de Ser!

Abre as asas
(se pensas em voar)
Abre esses braços musculados
(se pensas que a força domina)
Abre, abre as fronteiras do medo
(o mesmo medo de que foges)
Abre tudo o que pensas
(só assim será tu mesmo)
Abre, abre os olhos!


Fecha as asas
(nunca voarás sozinho)
Fecha os braços
(que na força também morres)
Fecha, fecha os medos
(que de ti te escondes)
Fecha tudo o que pensas
(que o segredo é a tua alma)
Fecha, fecha esses olhos molhados!


À sorte dirás – gosto de ti!
À vida, que não encontrarás
dirás que – entre o abre e fecha – nada
nada se resume e está diluído.

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

A duas mãos

Tenho uma mão, irrequieta, que quer escrever! Ao seu lado, a outra, a que crítica, mas nada faz. Resta-me o pensamento que, sabe o que quer, mas vai perdendo o seu tempo, a cuidar de ambas mãos…

Sábado, Agosto 01, 2009

Entre o tempo e a razão

Com o tempo podemos ver melhor a razão, apesar de tudo, com a razão jamais recuperamos esse tempo.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Pastor de índoles

Em absinto puro
guardo o meu rebanho
de animais incontáveis
guardo as minhas loucuras
longe dos apogeus
dos segredos
e das fabulosas mestrias do destino
guardo tudo
escondo como escondo a tristeza

e na minha aldeia
de pastores da vida
dançamos aos tormentos
e nas vozes do tempo
espantamos os males desse caminho
que urge caminhar
entre arbustos e animais
entre dores e odes
onde o grito se abafa

antes do pastoreio
nasce o dia
e reza-se ao céu
na demanda do pleno.

Domingo, Julho 19, 2009

À procura dos dias

À procura dos dias perdidos
embaraçado e preocupado
anda Leonardo
vestido na pele de ocupado
outras vezes de um leopardo
nesses dias já esquecidos.
Leonardo rompe as noites
deste verão quente
que não há quem aguente.

À procura de um não sei quê
de uma trança de boneca
ou de um pingente
roça e roça na soneca
e enquanto dorme não vê
que o que procura é gente
ou um fardo
de sabores incontidos
espalhados nos dias iludidos

Leonardo – boneco de porcelana
homem mistério ou personagem
perde os dias à procura
da sua própria linhagem.

Sábado, Julho 18, 2009

Sonho de Menino

Em menino quis o sonho
construí-o em pedaços de papel
e em segredo imaginei o caminho
em que o cumpriria.
E em rapaz lutei
com ânsias de desejos ancorados
no rio da minha cidade
oh! Tejo meu companheiro
dos meus passos dados sozinho
e no rosto a mesma lágrima de menino
em sobressalto de um tempo
que a fugir se consome
e a vida – essa sentinela
sem pudor e sem nome
corre ao meu lado
e arruma o passado.
Em menino sonhei
ouvir a canção
com a letra que escrevi
na voz do trovador.
Ainda hoje trago o sonho escondido
ainda olho o Tejo
e num forte desejo
meio real meio perdido
abafo a dor
de ter crescido.
Os meus olhos são de menino
num corpo transformado
que nas noites adormece
viaja e brinca
no regaço do limiar
onde espero encontrar
o ansiado caminho
que cumprirá o destino
do sonho de menino.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

A morte do guerreiro

Hoje quis ser guerreiro
marchar contra o vento
e de armas em punho
cerrar os dentes
e combater, combater.
Mas o meu émulo
de tão transparente ser
tornou-se invisível
desaparecido e misterioso.

E a força cresceu em mim
o meu corpo musculou-se
alimentado do torpe desejo
de sangue e dor
cegando o meu redor
em marcha quis ser guerreiro
a tempo inteiro
sem pavor nem misericórdia
nesta guerra sem igual.

Hoje quis desbravar o meu íntimo
e na pele de guerreiro – sem armas
entendi o pensamento
esse émulo distante e invisível
e a guerra acabou com o guerreiro.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Convite "Continuando assim..." Teresa Queiroz - Lisboa



A autora, Teresa Queiroz, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Continuando assim...”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 18 de Julho, pelas 19:00.

Obra e autora serão apresentadas pela Dr.ª Isabel Basto.

Entrada Livre

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Crónica de escárnio e maldizer

A contar até 10 (dez) depressa aprendi mesmo antes de entrar para a escola. Já a ler, o caso mudou de figura, até porque era mesmo das figuras que procurava, porque elas tinham o condão de me entreter. Já se vê que ler, a bem dizer, as letras soltinhas e a sós, nunca foi a minha primeira escolha. Mas a vida continuou.

Depois vieram os desenhos animados, a minha grade paixão da época, lembro-me do Tim-Tim e da sua inseparável cadela de nome Milú. Quando o faro (da Milú) lhe estimulava era sinal de petisco. Ou quando o Tim-Tim andava na calçada lá aparecia a dita a abanar o rabo e a lamber toda gente (ou a que mais interessava, a tal gente do petisco) e claro, nada a fazer, já que estas coisas são da génese do animal.

Hoje, sob o disfarce de desenho animado, há por aí adultos que os imitam (as técnicas bem se vê) com uma naturalidade estonteante.

Mais tarde, porque não era muito bom a ler e a interpretar o que lia, continuei agarrado a televisão, a ver sapos (sem os engolir) naquele palco mágico dos Marretas. Gostava particularmente dos velhos que, sempre atentos a tudo e a todos, apareciam, na altura das fogueiras inusitadas, sempre pouco brandas, para aludir os seus fervorosos comentários, feitios ou maus feitios desculpados pela idade avançada e pelas marcas da vida.

Hoje, sem pretensões a qualquer disfarce, é vê-los por aí e acolá sempre colados a uma boa polémica actual como se a moda nunca mudasse.

Coisas iluminadas ou uma espécie de escárnio e maldizer. Dizem.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Claridade da Lua

A Lua é enfeitada pelo vestido de noiva que, em segredo, veste. De branco, com o significado da candura, a Lua passeia pela magia dos sonhos. Aconchega-se, timidamente, na mais bela noite e emerge na esperança de dar vida, e alguma realidade, aos sonhos dos peregrinos que desfrutam a paisagem.

A claridade da Lua é um caminho etéreo e simbolicamente, um destino onde o auge da felicidade reside.

Essa mesma luz que ilumina caminhos é feita de esperanças enraizadas nos suculentos desejos dos mais nobres mortais.

De beleza feminina, a Lua, envolve-nos num espectáculo mundano e a sua claridade é o retorno, dessa ímpar comunicação, eterna e silenciosa, como a que, entre dois namorados decorre, com uma simplicidade única.

A claridade da Lua é para ser apreciada, desfrutada e partilhada nos bons momentos da vida. É o alimento de que as nossas almas carecem e a luz da paixão.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

9 Minutos

Tenho nove minutos para fazer tudo o que me falta. E ainda me falta tudo. Olho para trás e vejo que quase nada fiz. Ou melhor, que tudo o quanto fiz foi tão pouco para o que poderia, e deveria, ter feito, que agora, que restam nove minutos, tentarei redimir-me, um pouquinho, de tudo o que ignorei quando pensava que teria todo o tempo do mundo para, a belo prazer, fazer as coisas que mais gostaria de fazer. Puro egoísmo.

Quero redimir-me. Quero mas não consigo. Quero que as palavras possam correr pelos corações, que possam saciar as sedes dos que precisam de água e que possam alimentar as barrigas esfomeadas que, por este mundo, se escondem ou que aparecem no nítido pedido de ajuda. Que as palavras, tudo o que ainda tenho, possam trazer a paz.

9 Minutos. Que não pararam, que fugiram de mim como na vida tudo fugiu e em que nada mudou. Lamento que as mentes, como a minha, só acordem para a vida quando já é tarde demais, quando já nada podem fazer e depois, em parcos minutos, querem fazer tudo o que, numa vida inteira, ignoraram. Lamento e penitencio-me por ser igual a todos, por olhar para o outro lado, para não sentir a dor dos que sofrem ao meu lado. Lamento profundamente embora de nada adiante. E agora, que os meus minutos findam, espera-me a justiça do caminho que escolhi. E não foi por falta de avisos, de conselhos e de vontades que o escolhi. Foi porque só pensei em mim e no momento que vivia quando escolhi cada passo, quando tomei cada decisão e nada mais.

E nos meus últimos segundos, se escolher pudesse, gostaria de usar as seguintes palavras, sabendo de que, com elas, me afasto:

Perdoem. Amem. Uni-vos. Libertem-se. Olhem em redor.

Esgotou-se-me o tempo e nada fiz.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Cores

Em segredo pinto as paredes do meu imaginário de cores quentes, construindo, assim, um mundo interior de paz e alegria.
Mesmo que o meu corpo transporte uma imagem desconcertante, será apenas um exterior, adaptado às conjunturas reflectidas, que ocorrem por onde o corpo passeia e, nunca, um estado prostrado ou em mutação da humana condição. Há essa consciencialização.
Há na empatia das cores um jogo de sedução que envolve e acalma.
Nas cores há imagens que emergem e fomentam a meditação. Transportam-nos para esse oculto mistério onde nos sentimos bem.
E, por vezes, basta um sorriso, simples que seja, para nos encaminhar para esse apetecido mundo das cores, onde estaremos envoltos nas mais sumptuosas alegrias.

Terça-feira, Julho 07, 2009

CR9 ou Cristiano Ronaldo

Ontem Madrid parou. Para ver um menino de rosto brando. Parou Madrid e toda a Espanha. Parou a Europa, com especial incidência em Portugal, mas também o resto do Mundo que esteve atento através das televisões.
O melhor e mais bem pago jogador do Mundo mostrou-se de equipamento branco, com a camisola 9, do Real Madrid. Cumpriu o sonho. Jogar no Real Madrid era o seu objectivo desde pequenino e conseguiu-o. Certamente nunca tinha imaginado que, com ele, estariam mais de 80.000 pessoas, o que é, de facto, um marco histórico no futebol mundial.
Um português, da Madeira, criado em Lisboa e no Sporting Clube de Portugal, continua a fazer o seu caminho de sucessos. Mas, o mais importante, é que Cristiano Ronaldo está feliz. Tão importante como deveria ser esta oportunidade, que é mais uma, de percebermos uma mensagem intrínseca que sobressai deste episódio todo – o sonho – é possível, ou – o trabalho – mais tarde ou mais cedo, dará os seus frutos.
É assim Cristiano Ronaldo. Acredita, luta e nunca desiste até conseguir os seus objectivos. É também português, o que contraria o velho bloqueio de que, o que é nacional não tem valor. Infelizmente, é necessário ir para o estrangeiro para ganhar dinheiro e estatuto social, ou poderia dizer, respeito. Porque não temos essa capacidade de, primeiro, criarmos condições propícias a todos de ganharem dinheiro cá dentro, depois porque, quase como um descrédito ou rivalidade mesquinha, não conseguimos encontrar uma plataforma de consciência que nos dê, a nós, alguma luz e, a quem tem valor, algum prazer de ser reconhecido na sua terra natal.
E há por aí, espalhados pelo mundo, alguns CR9 nas mais diversas áreas profissionais à espera do seu tempo de reconhecimento nacional.
Enquanto isso, vamos perdendo uns e outros, ou porque preferiram ir viver para Lanzarote ou porque optaram pela nacionalidade brasileira e, como se nada fosse, continuamos lerdos, em silêncio e a pensar na crise em que vivemos, sem pensarmos muito nas razões porque tudo aconteceu e, principalmente, na forma de mudar os rumos de tudo o que vai acontecendo e que está, de facto, muito mal.
E como um dia vem depois de outro, esperamos hoje alguma novidade futebolística para o nosso clube, porque, se ontem foi impressionante o que vimos em Madrid, hoje também o vamos querer, para o nosso clube, seja ele qual for. Mas por amor da santa, não nos peçam nada, não nos peçam para fazer alguma coisa porque nós heróis dos pagamentos de impostos e outras aventuras sociais só queremos ver na nossa terrinha as mesma festas que em outros locais acontecem, ainda para mais, com produtos da nossa terra. Vá lá, sejam cordatos e sensíveis, dêem-nos o que queremos e a malta continuará de sorriso aberto a votar em que souber falar melhor e, um dia depois do outro lá iremos trabalhar na esperança de mais uma grande novidade.
Até lá, falaremos do menino que, um dia, disse que iria jogar naquele clube e cumpriu, e como sempre, ignoremos o trabalho que teve e os sacrifícios, para ficarmos retidos no dinheiro que ganha, que bom seria para nós, ou na cor do equipamento que, desta vez, até nem lhe fica tão bem.
Enfim, se alguém o vir, dêem-lhe os parabéns por mim e não sejam egoístas que o miúdo bem merece todo o carinho e reconhecimento que lhe é prestado.
Tenho pensado e agora fica dito.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Uma brincadeira de caracteres

O meu vizinho lembrou-se de colocar uma folha, nos elevadores do prédio, em jeito de comunicado da Administração, que rezava assim:

Estimados Condóminos,

Temos recebido imensas queixas anónimas por causa dos cagalhões, que, diariamente, aparecem perdidos no chão do hall do prédio e em alguns patamares. Espalhados que ficam, provocam um mal-estar a quem visita o prédio, obrigando os moradores a andarem de olhos pregados ao chão para que não tenham que pisar esses meritórios abjectos naturais.

Há uma particularidade de que ninguém se queixou – o odor – o que significa que essa parte, não sendo visual não merece qualquer referência ou, melhor ainda, é algo em que o hábito se sobrepôs. Seja como for, há uma necessidade premente de convocar uma reunião extraordinária – regida pela boa educação – em que serão expostos os argumentos dos queixosos, já aqui adiantados, bem como estes darão a cara contra os responsáveis. Por sua vez, entre os responsáveis, terá que haver um consenso sobre o/os causador/es desta anomalia e que, em paralelo, devem trazer argumentos para corrigir este problema.

Fica assim a reunião marcada para o próximo sábado pelas 21 horas.

Atentamente,

A Administração

Certo é que, no dia, houve condições para realizar a maior assembleia jamais imaginada, dado que os curiosos eram em maioria. Queiram saber tudo, quem eram os queixosos, os culpados e, provavelmente, as medidas ou represálias a tomar. No entanto a assembleia não se realizou, porque não se sabia quem a tinha colocado aquele papel com caracteres de malandrinho no elevador. Houve apenas uma grande cavaqueira, em que vizinhos que mal se conheciam puderam conversar

Depois os cães deixaram de vir a rua, pelo menos nos horários habituais, porque nunca mais foram avistados animais pelos elevadores ou pelas escadas.

O meu vizinho ainda hoje se ri, quando nos cruzamos e trocamos olhares, certo de que nunca mencionarei o seu nome.

Um dia, quem sabe, se não farei também a minha brincadeira de caracteres.

Sábado, Julho 04, 2009

Contos de Longa e Semifusa - no Porto



O autor, Mário Correia, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Contos de Longa e Semifusa”, a ter lugar no Museu Soares dos Reis, Porto, no próximo dia 10 de Julho, pelas 18:30.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Ivo Machado e pela Doutora Virgínia Martins Pinheiro.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Cria – dor

Entre os cinzentos
das esquizofrenias
dos rituais medonhos
da astúcia sociedade
onde passar,
é um mero acontecimento
lavram rasgados oponentes.
Há uma linha ténue
trajada de azulão.

Escapam risos
memórias sustidas
e um olhar melancólico
meio aspergido
curvado ao tempo
assumindo um corpo
perdido pelo chão
dessa tua passada incolor.
Entre cinzas caminharei.

Nas águas da liberdade
beberei as riquezas
profanadas
e no tédio azulão verdade
me deitarei resignado.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Novidades

Eis que encontro uma palavra ambiciosa e bastante nutritiva. É que adoro, e quem me conhece ou lida comigo diariamente sabe-o bem, dizia eu então, que adoro pronunciar esta palavra porque ela leva-nos, melhor, leva aos mais longínquos cenários.
Vejamos o seguinte: Então e novidades?
Não sabendo, em concreto, o que procuro, o meu interlocutor poderá vaguear (no pensamento, claro!) por estes campos:
Será que ele quis dizer – Inovações? O que demonstra ser um indivíduo atento e em pleno crescimento, consciencializado. Quem procura saber de inovações é certamente alguém interessado em aumentar o seu poder de desenvolvimento.
E se quis dizer – Originalidades? É uma pessoa diferente, provavelmente preocupada com coisas diferentes do comum.
Mas se quis dizer – Notícias: Bem, quer ser actualizado, demonstra interesse por tudo ou pelo Mundo.
E há também – Novas: Busca algo que seja uma lufada de ar fresco na sua vida, por exemplo.
Já em relação – Informações: Aqui entra tudo, sustento a vertente profissional, onde é fundamental que a informação circule e, se não circular, há que a procurar.
Mas ainda há – Bisbilhotices: Lembro-me que pode estar implícito a malandrice ou alguma curiosidade natural e importante para a boa vivência social.
E para terminar – Indiscrições: Que gostava de induzir ao campo mais íntimo da confidencialidade ou quanto muito, ao aspecto táctico de subtracção de informações específicas.
Enfim, há um amontoado plano teórico que poderá sugerir um vasto e diversificado caminho. Claro que, o que penso ao fazer a clássica pergunta – Novidades? Não direi.
Agora, depois desta abordagem, estou certo que, sempre que fizer a minha querida pergunta vou provocar, no mínimo, um espaço aberto na comunicação de poucos segundos…
Que ficará o meu interlocutor a pensar?

Terça-feira, Junho 30, 2009

O poema jazz

jazz na bitola do ouvido
em que o desejo se eleva
num misterioso contentamento
e o pobre enternecido
se deixa cair nas profundezas
desse luar
ora cintilante
ora transparente
como Zeus o pensaria.

jazz é um carnudo
código de comunicações
outros dizem, entre composições,
que são melodias celestes
e o tal pobre constrangido
no silêncio a vapor
fecha os olhos da dor
e sente cada andamento
como seu, mesmo que seja teu.

jazz é um poema perpétuo
balada etérea sem condição
de um corpo fátuo
seja pobre ou não!

Domingo, Junho 28, 2009

O poema que invento

nasce a palavra
na lucidez do momento
uma a uma alinham
no diapasão
e correm de mãos dadas
dando cor ao pensamento
e formam a mensagem
na construção
do poema!

e se ao expor
num perverso dilema
há quem o leia
como um actual tema
ou encontre no verso
a razão da teia
há quem o veja como arte
ou encontre alguma dor
mas, de verdade, é apenas um poema.

e como está escrito
com palavras de vento
fica aqui descrito
vale o que vale, a cada momento.

Sábado, Junho 27, 2009

Criatividade

A Criatividade é uma longa família. O pai – Criativo – foi pai e mãe do então embrião. Depressa se multiplicou e que, assim, deu origem a variadas mas interligadas extensões. Já volto a esta questão.
Dizia eu que o crescimento da família foi tão sustentado e por isso forte, que deu azo a existência de muitos membros com os mais diversos nomes. Hoje há nomes que todos conhecemos e facilmente associamos:
O Criador, entre outros, o Fecundante, Fecundo, Inventivo, Inventor, Gerador, Originador ou o Autor, não passam de esmerados primos, que, numa outra linguagem paralela, são baptizados por sinónimos.
Até aqui, nada de novo, a questão da família está exposta, bem enraizada e recomenda-se.
Agora importa voltar, como o prometido, às várias extensões interligadas e é aqui que, por vezes, existe alguma dúvida, ou pouca preparação, para se efectuar uma abordagem dinâmica e espontânea.
É que os membros desta família são, por natureza, exímios talentosos para com o que se designa por arte. Se abordarmos apenas uma, a escrita, podemos verificar a causa – efeito, sabendo que, por princípio, as bases se aplicam a todas as frentes da outra família que é a Arte. Diria que ambas as famílias – Criatividade e Arte – fazem um casamento perfeito.
Assim, ao conceber algo de novo, tudo, e todas as temáticas, podem ser abordadas. No entanto, para isso, é necessária muita perícia. É preciso que a causa seja sentida e o efeito consiga fazer toda diferença e que acrescente algo de novo, quer a quem, no caso, escreve e, principalmente, a quem lê. Tem que haver uma mensagem. Tem que introduzir interesse e prazer.
E quando isso acontece, na liberdade de criar, qualquer tema é superiormente abordado, resultando, daí, uma mais-valia para todos.
Foi assim, e ainda assim é, que o mundo literário evoluiu, obviamente com reflexos positivos para a sociedade.
O resto, o resto são dogmas embebidos em preconceitos inconscientes e enraizados, contra os quais urge apurar, instigando uma aprendizagem evolutiva e salutar.
Todos ganham e as famílias – Criatividade e Arte – agradecem.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Na foto de Zarco


(foto tirada da Internet)


Qual navegador fidalgo
De Zarco como nome estreito
Padecendo de algo
Enclausurado no peito.

No silêncio do olhar
Secreto. Elege a faceta
Concreto. Não se deixa resignar
Nesta posse de atleta.

Há uma cara camuflada
Pela barba das tempestades
Onde o pensamento passeia.

Há desígnio de camarada
Na ternura das idades
Mas é a voz que se alteia.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Cavalo Branco

tinha um cavalo branco
esbelto e inteligente
que a galope artístico
desenhava no chão
as letras da sua intenção
mas Eu discretamente
dava-lhe a mão
para a rédea curta…
pois então!

e de tempos em tempos
vinha mais um pinote
exacerbando a liberdade
que não tinha
mas Eu bem o controlava
vendo e cortando, tudo o que
não concordava
até que um dia
o meu cavalo fugiu

em branco ficou a minha quinta
no branco da ausência e da tristeza
tinha um cavalo branco
que em tanto branco deixou um vazio.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Convite "Do Mar e de Nós" - Poesia de José-Augusto de Carvalho



O autor, José-Augusto de Carvalho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Do Mar e de Nós”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados por Xavier Zarco.

Domingo, Junho 21, 2009

Convite “Canção do Exílio” - Poesia de Gonçalo B. de Sousa


O autor, Gonçalo B. de Sousa, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Canção do Exílio”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 19:00.

Obra e autor serão apresentados por José Félix.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Convite - "Pastoreio" em Lisboa


O autor, José Ribeiro Marto, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Pastoreio”, que recebeu o Prémio Litterarius do Clube Racal de Silves (Poesia), em 2007, a ter lugar no Palácio Galveias, Lisboa, no próximo dia 20 de Junho, pelas 19:30.


Obra e autor serão apresentados por Celeste Lima de Freitas e esta sessão contará com a leitura de poemas por Graça Vasconcelos e Melim Teixeira.


Se puder, divulgue e apareça.

Obrigado

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Crónica sobre o livro "Amor dos Babuínos"

Amor dos Babuínos – de Miguel Cardoso Pereira

Quando recebi este livro, reaprendi aquela velha lição de vida - não devemos ligar aos preconceitos. É que ao ler o título do primeiro capítulo achei que o livro jamais seria editado, porque ninguém escolhe “Hoje acordei morto”. Obviamente que, com a continuação da leitura, ficou mais uma vez provado que os preconceitos são desajustados e, muitas vezes, errados.
Com uma leitura atenta e sentida, porque neste livro não há alternativa, fui descobrindo a inteligência da escrita do Miguel Cardoso Pereira. Disse-o na apresentação, mas posso agora reafirmar, indo até mais longe, dizendo que, se entenderam que queria dizer que o escritor é uma pessoa inteligente, aceito-o e subscrevo. Já agora, justiça seja feita, que escreve muito bem. Fica esse reforço, agora que estamos na altura futebolística de aparecerem aos molhos.
Também concordo com o que disse o Vítor Serpa na apresentação do livro «Para mim é um livro. É isso que os escritores fazem. Não escrevem romances, escrevem livros.» Embora a sociedade não abdique de rótulos e este “Amor dos Babuínos” possa ser rotulado de Romance.
Hoje, dois dias após o lançamento, é-me grato ler no jornal “A Bola” o destaque merecido e, com alegria, o meu pensamento empurra-me para todo o trabalho dedicado do Miguel, para o apoio dos seus amigos que, julgo nunca lhe recusaram e para os pormenores que passam ao lado de quem compra este livro e, nesse aspecto, recordo, como exemplo, a forma engraçada e empenhada como foi conseguida a foto da capa pelo próprio Miguel e pelo nosso amigo Gonçalo Lobo Pinheiro, um fotojornalista de grande craveira que também tem o dom da escrita, no caso, na poesia.
Enfim, recordações e apostas, que, um dia, me trarão um sorriso gigante de satisfação e de o dever cumprido.
Hoje o tempo é de alegria e de trabalho, amanhã quando o Miguel Cardoso Pereira for mundialmente conhecido espero poder afirmar – Ele é meu amigo. E para os amigos queremos o melhor, independentemente se estiverem connosco ou mais distantes. Certo, certo é que este rapaz vai longe neste caminho que, pela frente, o desafia. E disso tenho a certeza, não engana, porque o moço é mesmo bom.
Agora vamos lá a trocar essa notinha de dez euros por um punhado de palavras mágicas entre o amor e a morte que o “Amor dos Babuínos” nos entrega com uma dedicação única.
Boas leituras.

Informações em http://www.temas-originais.pt

(a página 38 do Jornal "A Bola" de 15/06/2009)

Domingo, Junho 14, 2009

Resquícios

Escorre
o pensamento fugaz
num vácuo de memória.

Nasce a ideia
do homem que ainda sobrevive.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

As palavras sucumbem

As palavras transformam-se
Na magia do nosso querer
As palavras são rostos
Animais, ou flores campestres
Vivem na nossa alma
E brilham na íris de uma criança.
As palavras,
Adormecem na loucura da noite
E ficam presas no sentido
Desse moribundo efeito
As palavras vivem
Amam
E também sucumbem.

Domingo, Junho 07, 2009

Escola EB1 Heróis do Ultramar – Em Évora

No passado dia 5 de Junho regressei, pela terceira vez, a esta escola de Évora. Já tenho, nos professores, bons amigos e dos meninos os olhares sorridentes de quem sabe receber, partilhar e dar a verdadeira essência de cada um.

Sempre que sou convidado, aceito com alegria, e os momentos que passo junto destas pessoas marcam-me sempre de uma forma especial.

Eles dizem-me que aprendem comigo, e eu, confesso que aprendo muito mais com eles do que alguma vez possam imaginar, porque estar junto de tantas crianças tem uma magia única.

E hoje escrevo, neste meu sítio, uma pequena história que, orgulhosamente, faço questão de partilhar:

Como sempre, quer os alunos quer os professores, receberam-me com um carinho encantador e, como se tanto não bastasse, ainda fazem alguns trabalhos que me dedicam e/ou oferecem.

Desta vez, entre outras coisas, ofereceram-me um dossier recheado de poemas feitos pelos alunos. Ao receber este prémio, prometi-lhes que escolheria um para partilhar no meu espaço na Internet.

Não foi uma escolha fácil, até porque vos falo de crianças de tenra idade, que escrevem com o coração, com as palavras cheias de verdade e emoção, e que são, todas, merecedoras de um destaque justíssimo.

Ainda assim, escolhi um poema, quer pelo poema em si, mas especialmente pela história escondida que existe por detrás desse escrito e que faz toda a diferença. Conto-vos rapidamente:

Quando fiz minha primeira visita, alunos e professores, elaboram um excelente trabalho sobre a poesia, e em especial, sobre o meu primeiro livro “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia” e o Gonçalo confidenciou à sua professora qualquer coisa assim: - “a poesia é tão difícil que eu nunca conseguirei escrever um poema”.

Nada mais quero acrescentar, apenas um gosto especial de poder partilhar este poema, escrito na escola e de uma forma bastante rápida (faz-me lembrar alguém):


Criança

Ser criança é ser amor
É brincar com os amigos
E não sentir dor
É fazer parte de um Mundo à parte do Mundo

Ser criança é morrer e ressuscitar nos momentos difíceis
É saber crescer com uma mão amiga
É saber viver nos momentos mais emocionantes
É saber ter vida

Ser criança é viver para sempre
Ser criança é ter esperança
Ser criança é ser amada
Ser criança é pura e simplesmente ser criança.

Gonçalo (9 anos)
3.º Ano

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Entraste na minha vida…

Flores. Não foram as flores do campo que coloriram os momentos do meu passeio. Nem o azul do céu que enunciava os fios de um sol harmonioso e que aquecia a alma de quem desbrava o seu próprio caminho.
Este percurso foi adornado pelo teu olhar quando nos cruzamos como dois desconhecidos.
Lembro-me da solidão que transportava no meu corpo e não podia esquecer do teu sorriso, que irrompeu do meu olhar pouco discreto.
Lembro-me também dos teus cabelos longos e soltos que denunciavam um vento ameno que te empurrava na minha direcção.
Foi nesse momento que senti que entravas na minha vida e nem dei importância porque nem acreditei que tal fosse acontecer.
Lembro-me que foi mais um desejo que passou pela minha cabeça, daqueles sem futuro, que, por vezes, ocorrem do nada.
Lembro-me de nos cruzarmos uma segunda vez no mesmo dia, onde finalmente pude retribuir um sorriso que estava em dívida.
Dois corpos cruzavam-se sem regras ou noções, sem imaginarem que seguiriam outros caminhos de mãos dadas. Quem poderia descobrir?
Entraste na minha vida de uma forma tão natural como as flores que aromatizavam o nosso caminho, e deste-me uma luz só igual ao sol forte desse primeiro dia.
Ainda nem sei se te recordas desse dia, em que entraste na minha vida, nem importa saber porquê, basta existires ao meu lado e preencheres as minhas memórias com cada passo entregue no meu presente.
Basta-me.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

criança

entre as brincadeiras
desejando maravilhas
para um futuro longínquo
em que o tempo fugia em segredo.

quanta loucura
com exactidão
quanta bravura
sem noção
nas aventuras inacabadas

hoje prendo-me na nostalgia
desse olhar consumido
pela esperança

sinto-me a mesma criança.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

É já no próximo sábado - 30 de Maio



Olá a todos.
No próximo Sábado, dia 30, a editora Temas Originais apresenta mais dois livros de poesia.


O autor, José Félix e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro: "Teoria do Esquecimento", a ter lugar no Auditório sito ao Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Rui Sousa


e,


O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio pelas 19.00 horas.

Obra e autor serão apresentados pela Dr.ª Conceição Matos.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas deste tomo.



Depois dos lançamentos haverá um jantar. Há também a possibilidade de, quem quiser, almoçar no mesmo local. (Restaurante junto ao auditório, no mesmo edifício, que fica no Campo Grande 56 em Lisboa).



Se puder, apareça.


Sábado, Maio 23, 2009

despedida

ainda tenho a música
no ouvido
e as imagens fantasiadas
plantadas na íris

das palavras
escritas com emoção
retiradas de uma alma
exposta
e a nu o coração desfeito

chegou o momento
doce tormento
desta saudosa

despedida

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Texto de Apresentação - "Caminho da Vontade" - por Xavier Zarco

Conheço o Paulo Afonso Ramos há cerca de um ano. Foi na bela vila alentejana do Alvito, aquando da apresentação de um livro meu: “O livro do regresso” e de um outro do excelente poeta José-Augusto de Carvalho.

Começámos a conversar, a trocar ideias sobre a forma de estar nestas coisas da escrita. Acabei, por sugestão dele, por entrar no grupo Luso-Poemas e tive o prazer de prefaciar e apresentar o seu volume: “Mínimos instantes”.

Não satisfeitos com os meros almoços e jantares que estas coisas propiciam, um bom tempo mais tarde entendemos que era a hora, a tal hora pessoana, de se fazer qualquer coisa de diferente.

Pois bem... armámo-nos em empresários, melhor: em editores. E cá andamos, felizes e contentes, porque mesmo que tenhamos sérias divergências sobre alguns pormenores, estamos safos. Ele para as bandas de Lisboa e eu na minha bela Santa Clara, em Coimbra.

Como escritor, Paulo Afonso Ramos tem, na minha opinião, o mérito de prender o leitor e ade a essa característica o mérito do saber organizar um livro. Torná-lo, não numa compilação de textos, mas num corpo arquitectónico solidamente urdido.

Tal como Antonio Machado, que dizia não existir caminho, mas caminhar, Paulo Afonso Ramos, neste seu: “Caminho da vontade”, preconiza esse princípio.

Mostra-nos portanto um conceito de necessidade de alcançar algo para o valorar. Qualquer coisa, material ou imaterial, só se torna de facto algo para nós a partir do instante em que dela temos noção. Daí a necessidade de aprimorar o conhecimento das coisas do mundo.

Talvez por isso, e digo talvez porque só o autor poderá dizer se essa era ou não a intenção, logo nas páginas iniciais se encontre uma citação de Allan Poe e que é a seguinte:

“Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite”

Urge portanto depurar a máscara para a revelação do rosto. A máscara que nos auxilia a enfrentar o dia deve ser qual pedra sob o olhar do escultor. Há que retirar o excesso, criando condições para meditar sobre o que nos rodeia para desta forma se traçarem objectivos, mas sobretudo para que se faça o caminho, aquele que fazemos caminhando, e assim cumprir os desígnios da vontade.

Mas o poeta é um fingidor, escreve Pessoa, portanto tem de haver precaução no que se lê, ou, como diz o povo, saber que nem tudo o que reluz é ouro.

E o poeta inicia o seu caminhar exactamente com essa citação, servindo esta de epígrafe a “O poema enganador”. Mas não é, na minha leitura, um mero aviso ao leitor do que se segue seja ou não fingimento, antes nos recorda de que a poesia é arte e, como tal, criação do Homem, exercício intelectual edificado para fruição do outro.

Paulo Afonso Ramos lega-nos possíveis pistas para esse exercício como, por exemplo, e passo a citar:

“Escrevo com o sangue ainda quente” ou “Escrevo a ideia” ou “E a gente lê o que escreve / sonha” para concluir que “há um poeta que luta (...) / que inventa um novo mundo que nunca teve”.

Nestes quatro excertos de “O poema enganador” há um movimento implícito. Repare-se em “o sangue ainda quente”, como se nos dissesse que recolheu agora, neste momento, sensações da sua vida, digamos assim, normal porque desperto para o espanto, o tal sonhar de dia.

Mas essas sensações têm de ser transformadas, há que torná-las ideia (“escrevo a ideia”) e posteriormente a metamorfose através do sonho (“a gente lê o que escreve / sonha). Recordo estes versos de António Gedeão: “quando o homem sonha / o mundo pula e avança”.

Finalmente, após este processo de depuração, a invenção do mundo, através da acção, o poeta que luta.

Este é o fazer-se caminho pela vontade porque, como refere José Félix no prefácio a esta obra: “a vida é falsa, logo é função da poesia corrigi-la; a vida é vil, cumpre à poesia torná-la sublime; a vida é imperfeita, cumpre à poesia torná-la perfeita poeticamente”.

E cada passo adicionado ao caminho tem um ensejo que se revela no poema “Transmutação” em que o poeta afirma, e passo a citar: “Um dia morrerá o personagem / para que nasça o homem”.

A poesia, embora mundo outro, tem, não direi a obrigação, mas a possibilidade de mudar o mundo. E este é o caminho que só a vontade pode desenhar.

Xavier Zarco

Quarta-feira, Maio 20, 2009

amor

não quero escrever sobre o amor
aquele amor interminável
que se confunde com o sonho
e nos faz ansiar

não quero
ter uma alma
encostada ao desnorteio
e a permeio
um coração em sobressalto

e assim
não vou escrever
o que se confunde com a dor

amor

Terça-feira, Maio 19, 2009

ócio (respostas)

e há um homem que pensa
num pensamento de seda
e na sua sede
abre o seu abalo

e no aroma de incenso
quase dançando
enfeita o histerismo que é seu

há o Tejo cuja fonte
é o arado que chamaram esperança.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Ócio do Negócio

nas margens do Tejo
descanso,
desse cruel lirismo

é esse o trato
entre cada passo.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

(do meu ventre nascerão rosas)

flores
de diversas cores
nascerão
do meu ventre.

entre poesias
rosas aromatizadas
nascerão do mesmo ventre
de um poente
deslumbrado.

rosas flores ou poemas
de um ventre exposto
num parto tónico
entre espadas e pensamentos
nascerão.

do meu ventre,
nascerão acácias
lírios
cravos
nascerão então
as flores de um tempo.

serão rosas?
de um ventre meu?

(nascerão epopeias em flor
do meu ventre rosa-choque
da dor,
de nunca existir).

Terça-feira, Maio 12, 2009

O incerto pelo certo…

Há cada coisa, que de incerto se faz e se teme, que logo corre e a correr se veste da argúcia do certo… pura ironia do contraste dos estados.

Há uma avidez mórbida de ser e/ou ter um passo cada vez mais constante e certeiro, que chega até a parecer um disparo, quiçá, de morteiro, que, na rebeldia do atirador, se mistura com a vontade e a ganância de ser primeiro e/ou de ser exacto…

Há por magia, nas margens do dia, um iníquo pacto, que reza na voz um poder intranquilo que rouba a noção de quem se diz pupilo da razão.

Há tanta coisa, todas elas amedrontadas pelo incerto, que fogem, sem a devida noção e mergulham num marasmo impopular, que se confundem com o “in” – certo.

Enfim, há cada coisa mais estranha que casa com o perfil mais rebelde desta caminhada de surpresas. Que interessa? Nada. – Digo eu.

São as ganâncias, as invejas do homem, que moldam a passada ajustada a cada corpo que passam nesta curta vida transformada em caminho.

Que interessa? Nada. – Repito eu.

O incerto, que é o momento mágico da vida, é trocado pelo certo e tudo se perde, perdendo-se assim a luminosidade do bom senso para dar lugar ao certo, quiçá, aquilo que passamos uma vida a fugir e de repente percebemos que, ao fugirmos, inconscientemente, passamos uma vida a aproximar-nos.

Não adianta depois, trocar as voltas da vida, para baralharmos o incerto e o certo, para ficarmos com um deles, mesmo que, de pura verdade, nem nós saibamos qual é o que se adapte mais a nós, na medida certa da vida em que nos encontramos.

Que interessa? Nada. – Penso eu.

Sábado, Maio 09, 2009

Crónica do tempo novo

Há por aí, espalhado no espaço invisível, um tempo novo. Um tempo que nos foge e em que as crianças já não usam as brincadeiras do meu tempo de meninice.

Já ninguém joga às escondidas, à apanhada, ao jogo do lenço ou ao peão e ao berlinde. Já não há crianças que sintam esse tempo nas emoções das horas bem usadas e de boas companhias. Já nada resta desse tempo de memórias bem absorvido pelo tempo novo de comunicações imediatas e sem limites de distâncias.

Há um tempo novo que urge usar no seio da sua própria solidão porque as companhias são distantes e, mesmo que conhecidas, são, maioritariamente, desfrutadas no plano virtual.

Há portanto, neste tempo novo, um telemóvel colado ao corpo e um computador por companhia quase constante e até nem importa a idade de cada um, porque é importante estar actualizado com as realidades vizinhas.

Sem que déssemos conta, num passeio vagaroso e simultaneamente apressado, este tempo novo foi-se instalando definitivamente.

Hoje, só as memórias sabem do que falo e os meninos de outrora, agora homens e mulheres, podem explicar o que sinto, neste tempo novo roubado ao passado de uma época.

Que outro tempo derrubará este tempo novo?

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Sorrio

Na loucura dos dias
passeio a minha alegria
dos momentos.
A olhar o céu
vejo a estrela que foge
e a esperança que abraça
uma nuvem passageira
vejo e revejo o mesmo rosto
que nas manhãs sorri
ao meu acordar.
Há uma noite,
que surpreende quando aparece
de sorriso no peito
de coração na boca
na ânsia de se fazer mulher.
São noites de luz
e dias de loucura
que na alegria
do olhar
fazem os momentos sorrir.
E sem desistir
sem mentir
há um poder
oculto
que emerge como um vulto
para nos dizer
o que faz bem
e que sorrir
é a melhor forma de viver.

Domingo, Maio 03, 2009

Sessão de apresentação do livro "Caminho da Vontade"


O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar na Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, sita na Avenida Dom Vicente Afonso Valente, Póvoa de Santa Iria, no próximo dia 16 de Maio, pelas 15:30.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Esta sessão contará com a actuação musical de antigos e actuais alunos da escola e com a declamação de poemas deste tomo pelo professor Luís Nunes.

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Convite - Caminho da Vontade - em Lisboa



O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio pelas 19.00 horas.

Obra e autor serão apresentados pela Dr.ª Conceição Matos.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas deste tomo.

Se puder, apareça.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Site Oficial da Temas Originais


Nasceu hoje, dia 27 de Abril de 2009,
o sítio oficial da Temas Originais.
Visita-o em:

http://www.temas-originais.pt/

Domingo, Abril 26, 2009

Flash

Cortinas de fumo
separam-nos do inédito.

Ouvem-se gritos.


Memorial das gentes
entre loucuras sedentas.

Morrem gritos do tempo.


Chuvas que não molham
águas tortuosas.

Enredo do diabo.


Flash de ninguém
utopia,

de olhos vendados.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Diário de Maria Cura em Vila Verde



O autor, José Ilídio Torres e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de pré-lançamento do livro "Diário de Maria Cura" a ter lugar na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, sito na Praça do Município, em Vila Verde, no próximo dia 30 de Abril pelas 21:30.

Obra e autor serão apresentados pelo escritor António Paiva.

Se puder, não falte.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Paulo Gaminha - 25 de Abril - Sessão de Autógrafos



Paulo Gaminha, autor da Temas Originais, com o livro " Domador de Palavras" estará numa sessão de autógrafos no dia 25 de Abril de 2009, no Delta Shopping Lounge, em Elvas, (ao lado do Hotel D. Luís) das 15:00h as 17:00h.

Se puder, não falte.

Terça-feira, Abril 21, 2009

Escola EB 2,3 Dr. Vieira de Carvalho, na Maia

Domingo, Abril 19, 2009

Lançamento do livro "Caminho da vontade" na Maia

Não podia deixar de agradecer, em meu nome e em nome do meu grupo, o excelente dia de sábado, 18 de Abril de 2009, que ocorreu, na Maia, de forma magnífica e com pessoas que apoiam, dão a cara e vivem estes belos momentos que os livros propiciam.

Um eterno obrigado a todos quantos estiveram envolvidos para que este dia fosse o sucesso que merecidamente foi.

Não esquecerei que a felicidade é feita destes momentos, destes caminhos e principalmente destas vontades conjuntas.

Hoje estou feliz e agradece-vos por isso.



Paulo Afonso Ramos
Póvoa de Santa Iria, 19 de Abril de 2009

Sexta-feira, Abril 17, 2009

18 de Abril de 2009 - na Maia

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

CAMINHO DA VONTADE, de Paulo Afonso Ramos

Dando continuidade à política de promoção de livro e da leitura a Câmara Municipal da Maia, através da Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho acolhe a primeira apresentação pública do livro "Caminho da vontade", da autoria de Paulo Afonso Ramos, no próximo dia 18 de Abril, pelas 15.00h.


O autor: Paulo Afonso Ramos estreia-se em 2001 ao publicar poesia através da Editora Minerva. Em 2006 publica o seu primeiro livro de poesia, em edição de autor, com o título: "Vinte e Cinco Minutos de Fantasia". E em 2008, sob chancela da Edium Editores, lança um volume de prosa poética com o nome de “Mínimos Instantes”. É autor dos prefácios a “Amar-te em Silêncio”, de Vera Sousa Silva (Edium Editores, 2009) e de “A Intermitência dos Sentidos” de Octávio da Cunha (Temas Originais, 2009). Activista da Literatura, tem participado em diversas acções de promoção da leitura em diversas instituições, sobretudo escolas. A sua casa virtual é, desde 28 de Junho de 2006, o blogue: www.poesiadepauloafonso.blogspot.com.


A obra: « “Caminho da Vontade”, poemário de Paulo Afonso Ramos, pode ser definido, como menciona em prefácio José Félix, como "uma aventura pela alteridade, levando a poesia para um espaço experimental do sentir o outro (como a si mesmo) e por suposto esse estar diante do outro pode implicar a questão ética, interrogar-se nessa comunicação o que pressupõe, também, uma reflexão ética. »


A obra vai ser apresentada por Xavier Zarco.


Xavier Zarco, pseudónimo de Pedro Baptista (Coimbra, 1968). Tem vinte e dois títulos editados e diversas distinções das quais se destacam: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá, em 2004 e 2007; Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 2005; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, em 2005 ou o Prémio Literário da Lusofonia, em 2007.


Miguel Azevedo

Responsável do Serviço de Extensão Cultural

Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho

Domingo, Abril 12, 2009

Convite - Caminho da Vontade - Maia


O autor, Paulo Afonso Ramos, e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Caminho da Vontade” a ter lugar na Biblioteca Municipal Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia, no próximo dia 18 de Abril, pelas 15:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Haverá um jantar após o evento, quem quiser estar presente deverá confirmar a presença para: ilucia2@gmail.com

Divulguem e apareçam!

Obrigado.

Sábado, Abril 11, 2009

Diário de Maria Cura



Diário de Maria Cura, do autor José Ilídio Torres, é a última grande novidade da Temas Originais.

"Diário de Maria Cura" - Sinopse

Uma bela mulher é assassinada na noite de Carnaval. A polícia, na procura de pistas que levem ao criminoso, depara-se com um diário num site de escrita chamado Luso-Poemas, onde a falecida retrata sobre a identidade de Maria Cura uma série de relacionamentos que mantém.

Há uma pergunta sem resposta no ar:
Quem matou Maria Cura?

Já poderá encontrar este fabuloso livro em algumas livrarias que trabalham com a Temas Originais, que em breve, estará em todas livrarias com quem fazemos parceria.

Para já, poderá encontrar em:

Coimbra – Livraria Casa Castelo
Lisboa – Livraria Barata
Lisboa – Livraria Ler (Campo de Ourique)
Massamá – Livraria Modo

O autor José Ilídio Torres, em parceria com a Temas Originais, edita «Diário de Maria Cura», e convida todos os leitores e amigos a estarem presentes nos diversos momentos que o autor prevê realizar de norte a sul do país.

Agenda:

18 de Abril – Sessão de Poesia no Gato Escaldado Bar em Braga, com declamação de poemas dedicados á mulher e ao amor.
Sessão de autógrafos do livro.


30 de Abril
Pré apresentação na Biblioteca Municipal de Vila Verde (Braga), com vários convidados e momentos musicais.


Maio

Apresentações do livro no Porto, em Coimbra e Lisboa, em locais a confirmar brevemente.

10 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Barcelos

A partir de 12 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Viana do Castelo.

Outras presenças em Feiras do Livro estão a ser preparadas.

Um livro que promete ser um sucesso pela qualidade de uma escrita envolvente numa história de mistério e suspense. Um livro de leitura obrigatória.

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Incontidos

O instante lacrimeja
solta-se do sentido preso
que escapa ao próprio predador.

E na partida também goteja
o homem que viaja.

Domingo, Março 29, 2009

Convite - Poesia em Lisboa




O autor, Vicente Ferreira da Silva e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Interlúdios da Certeza”, ", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 4 de Abril pelas 16.00 horas.

Obra e autor serão apresentados por Maria Azenha.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas.





O Autor, Gonçalo Lobo Pinheiro e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Não Existes ou o breve manual prático de como esquecer um amor antigo", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 4 de Abril pelas 19.00 horas

Obra e Autor serão apresentados pela Prof.ª Magda Rodrigues.


Apareçam! Desfrutarão de momentos de excelente poesia.

Quinta-feira, Março 26, 2009

Verso e prosa juntam adeptos de todas as idades Poesia a rodos em dia dedicado à arte de declamar

Cultura e Lazer







Quatro poetas do concelho de Vila Franca de Xira recitaram poesia no dia dedicado à arte. Foi na biblioteca da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria. “Solta essas cordas de raiva/Deixa que a tua prisão seja liberdade”.


Foi com palavras de esperança que David Miranda marcou no último fim-de-semana as comemorações do Dia Mundial da Poesia, assinalado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira na biblioteca da Quinta Piedade, na Póvoa de Santa Iria. “Solta essas cordas de raiva/Deixa que a tua prisão seja liberdade/Nada de te pode parar/És cheio de vida/Mas tu prendes-te com grilhões/A um passado que te consome/ Tens a chave do cadeado”, declamou o poeta, natural de Vila Franca de Xira, já com dois livros publicados.

Os versos e as quadras, num estilo mais erudito, juntaram quatro poetas concelhios convidados pela autarquia. Carla Figueiras, de Castanheira do Ribatejo, foi outra das artistas da palavra presentes, declamando versos do seu livro “Da aurora ao amanhecer”, publicado recentemente. Numa tarde dedicada à leitura e declamação de poesia, surgiram também as confissões. “O meu livro começou por poemas escritos aos 14 anos, para a gaveta. Depois, passou a ser um sonho, que comandou a minha vida até se realizar”, sublinhou a poetisa.

Alícia Simões, do Forte da Casa, autora da obra “Sonhos Despertos”, declamou também. Premiada num concurso promovido por uma empresa de software, a poetisa atribuiu a uma amiga parte da responsabilidade pelo título da obra, e revelou uma poesia dedicada às “almas borboletas” que a inspiram.

Paulo Afonso, da Póvoa de Santa Iria, encerrou a tarde de poesia, com alguns apontamentos de humor por entre a leitura dos poemas. O poeta, que começou a escrever ainda jovem e publicou pela primeira vez em 2006, divulgou a criação recente de uma editora sua, Temas Originais, em conjunto com dois poetas, naturais de Coimbra e Porto, dedicada aos novos autores. “Da primeira vez, enviei a ligação para o meu blog e depois alguma poesia e prosa poética por correio electrónico. Mas a maior parte das editoras nem me respondeu. Queremos dar voz ao novo autor, respeitá-lo, nesta editora e dar-lhe um tratamento diferenciado”, relata o autor.

A sessão de poesia na biblioteca da Quinta da Piedade integrou o II Encontro de Poetas do Concelho de Vila Franca de Xira. A iniciativa foi uma das várias organizadas pela câmara municipal, iniciadas no 18 com a leitura de “O Amor na Poesia Portuguesa: o amor é fogo...: por Paulo Rodrigues.

As associações culturais também assinalaram o dia dedicado à poesia. O grupo Gruta Forte, do Forte da Casa, promoveu um espectáculo de poesia na tarde de 19 Março, na Biblioteca Municipal da freguesia. Domingo, Dia Mundial da Poesia segundo os calendários oficiais. Foi no Grémio Dramático Povoense que as comemorações terminaram, com declamação de poesia ao longo da noite.


in Mirante

http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=384&id=52384&idSeccao=5760&Action=noticia

Terça-feira, Março 24, 2009

Convite - 28/03/2009 - em Lisboa



O Autor, Paulo Gaminha e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Domador de Palavras", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 28 de Março pelas 16.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados por Ana Maria Oliveira.




A Autora, Sant´Ana e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Contos da Fogueira", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 28 de Março pelas 19.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pelo escritor Paulo Afonso Ramos.

Se puder, não falte!

Segunda-feira, Março 23, 2009

Margem

É da outra margem
que observo o sonho
em silêncio…
Escondo-me num segredo
só meu, que talvez,
talvez um dia seja também teu.
É dessa mesma margem
que imagino os passos do castelo
e as intempéries que afagam os rostos
das casas, e nem me esqueço das pessoas
que durante décadas atravessaram
este nosso Tejo.
(Onde me encontro e desencontro).
E esta margem,
agora minha, que por estes instantes,
estende o seu olhar
pelo meu corpo
pelo meu desejo
e até pela cidade que se agiganta
mesmo aqui ao lado…
Esta margem
que é um lugar de partilha,
partilha dos segredos
dos acontecimentos
esta margem
que absorve-me
encanta-me
e nunca me diz não!
Volto sempre
em silêncio
em segredo
para sentir…
E sinto mesmo,
sinto o meu sonho a sorrir…



(Nota: Dedico este poema a Dr.ª Conceição da biblioteca da minha terra, como forma de agradecimento pelo dia da poesia)

Sábado, Março 21, 2009

Hoje Procuro-te

Não te preocupes
(ficarei bem)
que na minha busca…
perdi-me,
mas voltarei a encontra-me.
As essências dos sorrisos
famintos,
fabricam paladares exóticos
que aquecem a alma dos desejos.
Não te preocupes
com a minha procura
(ficarás bem)
entre o desnorte e o reencontro
há um sabor apelativo
que segrega as vitaminas
com que sobrevivo
neste deserto do pensamento.
Ando perdido neste marasmo
que enlouquece as noites sedentas
do teu suposto aconchego.
Há um frio que indica a minha solidão
na metade de mim que desiste
e sem que peça, a outra metade,
na procura, agasalha-me,
envolve-me… para que não morra!
Hoje procuro-te,
bem dentro de mim
sem que assuma qual das partes eu serei
ou se por um todo morrerei…
Não te preocupes
(ficaremos bem)
ao reencontrar-me
assumirei os destinos do meu corpo
olharei em frente
e guardarei o passado até esquecê-lo.
Hoje procuro-te,
amanhã encontrarei algum sinal
alguma resposta!

Quarta-feira, Março 18, 2009

Comemorações do Dia Mundial da Poesia



Leitura de Poesia, "O amor na poesia portuguesa: amor é fogo...», por Paulo Renato Rodrigues
19 Março, 18h30
Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira

2.º Encontro de Poetas do Concelho de Vila Franca de Xira, com a actuação do grupo coral Ares Novos
21 Março, 15h30
Biblioteca Municipais da Quinta da Piedade (Póvoa de St.ª Iria)
Com os poetas locais: Paulo Afonso (Póvoa de Santa Iria), Carla Figueiras (Castanheira do Ribatejo), David Miranda (Vila Franca de Xira) e Alícia Simões (Forte da Casa)

Mercado de Poesia: exposição e venda de livros de poesia, com desconto sobre o preço de capa
17 a 21 de Março
Bibliotecas Municipais de Alverca, Quinta da Piedade (Póvoa de St.ª Iria) e Vila Franca de Xira

Quinta da Piedade - Póvoa de Santa Iría

As origens da Quinta da Piedade remontam ao século XIV, quando foi instituído o Morgadio da Póvoa por Vicente Afonso Valente, cónego da sé de Lisboa. A história da Quinta está estreitamente ligada à história da Póvoa de St. Iria, durante muito tempo chamada de Póvoa de D. Martinho de Castelo Branco, sétimo senhor da Póvoa e primeiro conde de Vila Nova de Portimão. O património edificado actualmente existente na Quinta testemunha os diferentes períodos históricos e vivências que este espaço atravessou. Se, por um lado, são ainda visíveis os vestígios das edificações renascentistas - portal e placa epigrafada da antiga capela de Nossa Senhora da Piedade (1531) e oratório dedicado a S. Jerónimo - é do século XVIII que data o conjunto patrimonial mais notável da Quinta. As campanhas de obras do século XVIII, impulsionadas por D. Pedro de Lencastre Castelo Branco, quinto conde de Vila Nova de Portimão, originaram a construção da igreja de Nossa Senhora da Piedade, a ampliação do palácio e a sua decoração.

Segunda-feira, Março 16, 2009

Convite - 21/03/2009 - no Porto



O autor, Vicente Ferreira da Silva e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Interlúdios da Certeza”, a ter lugar na Sala do Fundo Antigo, Reitoria da Universidade do Porto, no próximo dia 21 de Março pelas 16:30.

Obra e autor serão apresentados pela Prof. ª Helena Padrão e por Otília Martel.

Esta sessão contará com a presença de Júlia Moura Lopes, que declamará alguns poemas.

Apareçam! Desfrutarão de momentos de excelente poesia.

Domingo, Março 15, 2009

Renovei-me

Ao ver as folhas caírem, as flores abrirem, os sorrisos quentes do sol e as lágrimas vindas do céu derramarem estados pregados, percebi que tudo está em constante renovação.

Também quis acompanhar o Universo renovando-me…

Renovei-me quando aprendi a sorrir, quando soube dar, quando aprendi a receber mesmo as coisas que nunca queremos receber.

Estarei sempre disponível para me renovar, crescendo e aprendendo a estar.

Até ao último dia, esse indesejado dia, que também será uma forma pelicular de renovar-me.

É assim que me sinto, no que sou e no que pretendo ser sempre.

E, ao acabar de escrever estas linhas curtas e simples, interiormente senti-me parte envolvida da minha mais recente renovação, porque neste teclar da mistura de letras activei os sentidos…

Talvez esta partilha possa contribuir para um qualquer outro género de renovação, quem sabe?

Segunda-feira, Março 09, 2009

Convite - Poesia

Caros Amigos,

No próximo dia 14 de Março, serão lançados dois livros de poesia, pela editora Temas Originais, no Campo Grande, nº 56, em Lisboa.

O primeiro lançamento, às 16 horas, será do livro "A Intermitência dos Sentidos", um livro do Poeta Octávio da Cunha e que será apresentado pela poetisa Vera Sousa Silva.




O segundo livro, "Ser Poeta" do Poeta António Martins, será lançado às 19 horas e será apresentado por outro consagrado Poeta de nome Xavier Zarco.



De seguida queremos reunir um bom grupo de pessoas para jantar, no mesmo local dos lançamentos (Campo Grande, 56, em Lisboa), para assim fecharmos com chave de ouro este dia maravilhoso de poesia entre amigos, leitores e poetas da nossa praça, pelo que quem quiser, faça o favor de contactar a nossa assessora Vera Sousa Silva por e-mail (svera.silva@gmail.com).
O jantar rondará os 12 Euros por pessoa.

Apareçam! Desfrutarão de momentos de boa poesia e estarão entre amigos!

Obrigado a todos

Domingo, Março 08, 2009

Mulher


(Foto de: 1000imagens.com - Paulo Almeida)

Tão leve como uma pena
passa um tempo sem destino
tão leve… na pura cena
nasce ao som do sino
a Mulher…

Tão leve,
nasce cada dia por preencher
e na essência de como se deve
ouso olhar para a mulher
que no silêncio caminha
dá,
entrega-se ao momento
e numa voz ausente
nada teme
quando leva o barco
pelo leme
ao seu porto seguro.

Tão leve nesse corpo angelical
moram os fragmentos
dos caminhos cortados
das insónias da vida
dos incómodos das palavras…

Tão leve…
Nasce cada sorriso matinal
que se perpétua
se mostra
e se diz feliz
no rosto de Mulher.

Sexta-feira, Março 06, 2009

O silêncio da palavra

A palavra anoitece
veste a escuridão
segreda-me os intuitos
com um hálito de cacimba.
Rotas e rotas
desenhadas no tempo
contam-nos histórias
momentos,
de intensos saberes…

A palavra é o silêncio.

Um chilrear,
acorda-nos devagar…

A luz brilha
no horizonte
vestindo a palavra
de um nenúfar
apoteótico
coberto de ilusão.

A palavra arrefece
na mudança de mão
de voz
esquece-se
e na solidão
fica quieta
presa
na escuridão…

A palavra é o silêncio
a pedra,
a história
ou o tempo que morreu…

despida,
perdida,

cala-se então!

Quarta-feira, Março 04, 2009

(Título) Origem

(Introdução)

Leve levemente
sai da mente
indubitavelmente
o desejo iminente
de ser gente.
E assim nasce
a luz
(imagem do acontecimento)
da realização.

(Apêndice de origem)

Corpos extasiados
suados,
separam-se…

(Espaço a dois tempos)

Uns meses de espera
aproximação,
perto do coração
que importa,
se será menino ou menina?

(O principio da origem)

Leve levemente
entra na mente…

Segunda-feira, Março 02, 2009

Submissão

As maças do rosto
rosadas, denunciavam-lhe
o seu ímpeto
ao reencontrar o seu amor.
(O seu grande amor, secreto,
e por isso nunca correspondido.)
As palavras,
brotavam da sua boca
em sintonia
arqueando impulsos e desejos
o seu pensamento, austero,
centrava-se apenas nele
aquele homem corpulento
de sorriso aberto.
Imaginava-se nos seus braços
e nos seus lábios
lia os seus próprios sonhos
como realidades inalteráveis…
um beijo de despedida
acordava-a.
Repetiam-se os dias
as cenas,
dos encontros fortuitos
e as maças do rosto
rosadas,
sem que ele nunca suspeitasse…
Dependências de um amor
nunca partilhado,
apertado, bem apertado
na obediência
do seu envergonhado
sentimento!

(O amor pode ser submisso…)

Rafaela Kronq

Domingo, Março 01, 2009

Harmonia

Um piano
a marcar o compasso
deixa entrar a voz celeste
que solta as palavras
mágicas do eterno
e perpetuado momento
de quem assiste
e o tempo é marcante
e o compasso é marcante
e a voz é marcante
um piano e uma voz
deixam o arrepio
nos corpos extasiados
e nas palavras soltas
cai um – “Tu és maluco” –
e uma lágrima responde
em silêncio
sem que a música pare
uma troca de olhares
marcam o compasso
do fim, em que,
só as palmas sobram…

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Arguto

São garças esvoaçantes
que embebedam o meu dia-a-dia
na plenitude do sentir.
São mordomias incessantes
que revestem o meu hábito
de um não sei porquê
sem que peça
sem que passe
sem que desça
sem que me levante.
São corujas inebrias
que escoltam a minha noite
na plenitude do sorrir.
São acasos irrelevantes
que moldam o sonho
de um acanhado ninguém
sem que perceba
sem que queira
sem que seja
sem que aconteça.
Entre o sonho e a realidade
mora um poema
que veste um corpo
e amarra o sentimento
desse Ser que desperta
em cada palavra.
Sem que vejas
sem que leias
existimos na distância
que separa
a noite do dia.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Convite



O Autor, António MR Martins e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Ser Poeta", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 14 de Março pelas 19.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Convite



O Autor, Octávio Da Cunha e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "A Intermitência dos Sentidos", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 14 de Março pelas 16.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pela poetisa Vera Sousa Silva.

Se puder não falte.

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Fim

Já nada mexe
neste meu estar aqui
nada. Nem o desejo desse olhar
nem o amor desse poema
que busca o meu sentimento
escondido. Já nada mexe…
Perdi a inocência das palavras
que em segredo moldavam
o carinho do poeta, e emprestavam
delicias de emoções a quem as lia…
Já nada de nada me mexe
nada me agarra a este tempo
a este esconderijo de prosas encantadas
nem as fadas, que alegravam as noites
por dormir…nem as musas,
que coloriam as frases do meu pensamento.
Já nada mexe em mim
agora que os meus olhos
se fecharam para o teus passos
que nem lágrimas provocam,
já nada consegue iludir
a esperança que morreu nos meus braços
abandonada
apunhalada
pela penumbra da escrita volátil…
Já não moro aqui
nem em parte incerta
e com a mesma palavra com que nasci
parti,
na morte quase deserta…
Já nada mexe
nem os teus lábios
que murmuravam desejos
nem o meu anseio
que pedia os teus beijos.
Já te disse,
nada mexe aqui
porque a morte irrequieta
ficou longe
em silêncio
quieta.
E eu… já não moro aqui!

Domingo, Fevereiro 22, 2009

Eugénio de Andrade

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



Eugénio de Andrade

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Fernando Pessoa

A felicidade exige valentia.



"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Sexta-Feira - 13

Sexta-feira 13

Procuro o azar e não o encontro. Procuro as palavras para falar de amor, e a voz cala-se.

Quero gritar, mas o grito assustado da minha revolta foge. Tudo me ocorre no olhar soslaio, matreiro, com que agarro cada momento. Procuro-te mesmo sabendo que não existes...

Agarro o tempo para que o sinta fugir de mim. Agarro a vontade dos impossíveis para que possa justificar um fim.

Ninguém sabe, ninguém sonha, que a culpa parte de mim quando procuro desculpas, ou justificações, para os meus fracassos escondidos, perdidos, esquecidos que, guardados, formam a construção do ego destorcido...

Ninguém acredita quando aponto o dedo ao outro, ao tempo, ao passado e ao presente, quando digo que a culpa é da incongruência do pensamento, seja do meu ou do teu...

E há dias em que a vontade é sublimada, em que quero modificar tudo, e logo o tempo estremece, foge, do meu olhar sonhador.

Que posso fazer?

Se não aceito respostas ou se nem quero saber das hipóteses de vencer...

Nada importa.

A culpa é da sexta-feira 13 que, mesmo não sendo supersticioso, me serve a alma, o corpo, para nada fazer e tudo justificar...

E, por favor, nunca se esqueçam que tudo tentei, mas a sorte não quis ajudar.

Vou andar mais um ano a pensar, outro a planear e todo o tempo do mundo a estruturar um projecto ambicioso, serei como ninguém e, numa sexta-feira 13 qualquer tentarei, outra vez, sabendo que, se falhar, a culpa não será minha de certeza absoluta.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Temas Originais - Editora





Caros Autores,

A 5 de Fevereiro último nasceu a TEMAS ORIGINAIS, LDA. Pretendemos ser, não mais uma Editora no mercado, mas uma verdadeira Casa de Autores. É nosso intuito editar os mais díspares géneros literários; dar corpo à voz ímpar de cada um que, por nós, decida publicar. Contacte-nos, envie-nos uma obra que considere definitiva e que queira ver editada e saiba como.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Os editores

TEMAS ORIGINAIS, LDA
Rua de Vilar, 74 – 2.º - 4050-625 PORTO
DELEGAÇÕES EM: Coimbra, Lisboa e Porto
E-mail: temas.originais@gmail.com
Blogue: http://temasoriginais.blogspot.com
(o sítio está a ser ultimado)

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Ilusão Moribunda

Vivo no teu silêncio
nesse alvéolo
da imaginação.
Sou a resposta
sem pergunta.
Sou palhaço
sem circo.
Vivo no regaço
do amor perdido
sem ser achado
apetecido.
Vivo na sombra
do sonho
paredes meias com a loucura.
Sou inebriado
com o que não tenho
e de peito aberto
vivo no estreito
da sensatez
de um dia,
quase perfeito.
Sou a mentira
com que te iludes.
Sou a verdade
com que foges
quando a ignoras…
Sou um pássaro azulão
ou peixe verde
uma consoante
ou uma letra abandonada.
Sou o que os teus olhos
quiserem ver…
Vivo no silêncio
do teu umbral
na espera
que um dia acordes.

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Poema Novo

Nasce do nada…
O poema que se lê
inspirado numa fada
que ninguém vê…
Poema do asfalto
pisado pelo olhar
é nobre e alto
que caminha para o altar.
Em busca do sonho
em busca da musa
o poema novo nasce
e renasce do nada.
Fonte por encontrar
desejo por esgotar
este corpo novo
é o poema do nada
que vive na sombra
e sobrevive ao momento
do olhar…
Poema etéreo
vestido pelos desígnios
que de nada e de novo
sustenta qualquer morte
anunciada.
Morre até o poeta
mas o poema,
esse é sempre novo,
a cada olhar…
Oh! Poema novo
libertino
e com esplendor
escondes a dor
do poeta citadino.

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Já não tenho flores

Há um dia azul
enfeitado por um sol presente
(há um silêncio
que faz a barreira,
que nos separa da noite…)
Há uma noite
enfeitada por uma lua sorridente
(que tem uma barreira
escondida na escuridão
de um silêncio separador…)
Já não tenho flores
para conquistar amores
para iludir os prantos
desse dia perdido.
Já não tenho flores
para depositar nessa campa
onde a noite guarda os segredos.
(As últimas flores
deitei-as aos peixes verdes
que no mar carpiam as dores
dos meus dias perdidos…)
Já não tenho flores
nem tristezas.
Já não tenho dias
noites,
amores,
já não tenho certezas
quanto mais flores.

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Hoje matei um poema!

Hoje matei,
matei um poema
de cálidas palavras
e de branco sofrer…
Matei-o antes de nascer
com versos de raiva
feitos de frases de pólvora
matei-o…
Hoje,
porque sempre pensara
nesse acto
matei,
com brasas de revolta
estendidas pelas palavras.
Hoje matei um poema
e entreguei-me.
Entreguei-me aos leitores
de braços rendidos
presos…
Cumprirei a penitência
em silêncio
e quando a liberdade voltar
voltarei também entre rimas
e matarei, novamente,
o então hoje
que trouxer um poema
solto ao vento
que um dia foi meu
também teu
e que o matei…

O verdadeiro poema
não morre!
Vê-nos morrer…

Hoje matei…
um pouco de mim
e pensei que era um poema.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Amar-te em Silêncio



Breve é o sonho
Em que me fundo à tua alma
E assim ficamos unos,
No espaço infinito da razão
Que nos cobre de estrelas cadentes
E risos inocentes, cálidos,
Como a voz do poema.

Breves instantes de ilusão
Em que o acordar é claro e límpido
Sem teu corpo perto,
Sem teu cheiro
(que mesmo assim
se m’entranha na pele
e m’esgota a consciência).

Amar-te é causa e efeito,
Propósito sem intenção,
Meu rumo e destino…

O silêncio mata-me
E grita no peito que arde,
Nas veias que pulsam
Levando a vida ao coração.

Não peças palavras…
Lê-me o olhar!



No próximo dia 7 de Fevereiro, no Auditório da Câmara Municipal da Amadora, pelas 15.30 horas, será o lançamento do livro de poesia "Amar-te em Silêncio" da autoria de Vera Sousa Silva, com a chancela da Edium Editores.
Obra e autora serão apresentados por Magda Pais.
Serão declamados poemas por Dionísio Dinis, gentilmente cedido pelo EscritArtes e serão interpretados alguns temas pelos músicos Bruno Rocha e Catarina Cardoso.
Apareçam

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Sonhos Impossíveis

Na taciturna da noite ouvem-se vozes distorcidas que planeiam afugentar os personagens de um sonho matreiro. O portador do corpo estendido num palheiro dorme sem sobressaltos e, inconsciente, colabora no desenlaço daquele momento quando abriga as sensações com que vive.
Há uma Musa antiga que entra no sonho e se deleita com as vozes da noite, a sua formosura enternece as personagens que existiam em silêncio.
Rompem os laços da magia empacotada nas traseiras do dia e depressa floresce um amor premeditado por Zeus.
Todas as coisas acontecem entre um estar absorvido e o amor repete-se em horas de loucura que a fantasia teima em conseguir. Há uma perpétua condição que amanhece no peito e que, com ela, trás a luz de mais um dia. Firma-se essa condição num desejo absorvido pelo prazer onde fica escrito na mente dos amantes que, em cada noite, ao som das vozes de comando, voltarão sempre para se encontrarem. E, nesse encontro, a liberdade será sempre respeitada por ambos…
O corpo mexe-se. Empresta a fuga de mais um sonho que o amanhecer não consegue decifrar.
Ao acordar, há uma sensação de magia, e um corpo esgotado de uma noite mal dormida.
Resta o sonho. Mais um que entrará no rol dos sonhos impossíveis e em que o segredo será guardado.
Amanhã pela noitinha, na calada, esperarei pelas vozes distorcidas… Viverei num corpo e na espera dessa Musa antiga que alimenta o meu Ser.
Só os sonhos impossíveis permanecem em mim e me fazem viver…

Sábado, Janeiro 31, 2009

Escrever

Mesmo que não queira escrever, que não sinta vontade ou que, não encontre alguma mensagem para transmitir, o meu estado carecido, empurra-me para que abra um documento Word (que já passei a fase do papel e da caneta) e comece uma nova aventura das palavras.
De um fundo branco crescem formigas transformadas em palavras feitas que depressa se adornam em frases com pouco ou nenhum sentido. Ainda assim, não desisto de escrever e, no balanço que os meus dedos, tomam delicio-me entre as palavras e perco-me nas frases sem qualquer importância do acto ou sem qualquer curiosidade no que vai fluindo. É essa a palavra correcta, fluir, porque as coisas acontecem com uma velocidade medonha que nem me sobra tempo para corrigir ou ter atenção ao sentido de cada espaço ou de cada palavra e muito menos aos sabores das palavras.
No fim, exausto desse exercício, leio num todo o resultado. Nem sempre gosto do que leio, também é verdade que nem sempre entendo porque o escrevo, embora já tenha algumas situações em que as pessoas reagiram com admiração por ter escrito para elas, umas vezes sim, outras não, que importa isso se o resultado é mesmo o que conta?
Então, continuo o meu caminho, na estrada da escrita a deliciar-me com o que faço porque já o faço por necessidade e, na verdade, por puro prazer, mesmo que não queira escrever, que não sinta vontade ou que não encontre nenhuma mensagem para partilhar, como neste caso quando iniciei a escrita, sempre na esperança que saía algo, porque sai sempre algo, no fim de cada texto. E mesmo que não entenda ou não goste do que acabe de escrever, já sei, por experiência própria, que haverá alguém que vai gostar, haverá alguém que se vai identificar com o que lê e isso basta-me para que o partilhe.
Enquanto continuar a escrever espero que o desejo seja igual ao prazer de o fazer e que as leituras cheguem dos que se identificam.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Excertos de Uma Despedida VII

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Diogo:

“Não posso adiantar-te mais nada. Sobra-nos um silêncio que ambos teremos que saber gerir. Por favor, não respondas, um dia entenderás o meu pedido. Até sempre!”

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Excertos de Uma Despedida VI

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Esmeralda:

“Há demasiada estranheza. Há imensa surpresa. Nem estou em mim ao ler as tuas palavras. Precisas de ajuda. Deve ter acontecido algo de grave e o teu silêncio camuflou esse novo dado. Diz-me o que se passa para além destas palavras, deixa-me ajudar-te…”

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Excertos de Uma Despedida V

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Diogo:

“Este é dos passos mais difíceis que dei, e, por isso, optei por fazê-lo deste modo. Não sabes o que me custa. Peço-te, se pedir é aceitável, que não faças mais perguntas nem penses que és culpada de coisa alguma. Quero apenas que aceites e sigas o teu caminho que seguirei o meu, que o futuro fará o que tiver que ser. Que mais te posso dizer, além de que lamento todo este processo. Desculpa.”

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Excertos de Uma Despedida IV

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Esmeralda:

“Estou espantada com a tua resposta. Cada vez mais acho-te uma pessoa diferente daquela com que casei. Ou é este tema, o que não acredito, ou há alguém que baralhou a tua cabeça ao ponto de te tornar numa pessoa insensível, que já não se revê como marido e pai. Direi que, no mínimo, estou desapontada para não dizer chocada.
Tratas este assunto por carta, e como isso não fosse bastante constrangedor, ainda consegues ser frio. Nem sequer pensaste no que pedi na anterior carta. Deixas-me sem palavras e incomodada. Não sei o que fazer…”

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Excertos de Uma Despedida III

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Diogo:

“Creio que, depois da nossa realidade laboral nos ter afastado, na distância e no tempo, as coisas começaram a ter outros contornos. Hoje há uma realidade dura entre nós. Já não vivemos os mesmos sonhos nem perseguimos os mesmos objectivos. Nada de mais se passa e este é o caminho que ambos temos pela frente sem que encontremos qualquer alternativa que seja do agrado de ambos. Afinal, nos tempos que correm, uma separação e refiro-me ao divórcio, porque na realidade a separação já existe, não é assim tão difícil de aceitar e é recorrente acontecer entre outros casais com menos razões que nós…”

Domingo, Janeiro 25, 2009

Excertos de Uma Despedida II

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Esmeralda:

“Nunca esperei que estas palavras chegassem de ti. Entreguei-me totalmente, fui namorada, mulher, amante, fui mãe dos nossos filhos, trabalhadora e dona de casa. Só o tempo, o mesmo que ambos gastamos, mudou as nossas vidas e os nossos rostos. Nunca suspeitei deste final e as tuas palavras não conseguem fazer com que o entenda.
Não sei o que pretendes, nem porque o fazes, apenas te peço que consideres uma ponderação respeitável e assumas o seu resultado, mas, por favor, sê isento na apreciação e sincero na sua divulgação, pelo que o nosso passado merece e pela imagem que ainda tenho de ti.”

Sábado, Janeiro 24, 2009

Excertos de Uma Despedida I

(personagens: Diogo & Esmeralda)

Diogo:

“Já não há futuro no nosso caminho. No presente há um sentido destemido e assumido como um passo que tinha que ser dado.
Do passado fica-nos a memória dos nossos actos, dos nossos desejos planeados e que nunca foram conquistados.
Agora nada adianta tentar inverter o rumo dos acontecimentos. É hora de assumir um fim. Houve um tempo em que as coisas aconteciam e que ainda podíamos evitar este desfecho final, mas ambos ignorávamos essa realidade.”

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Vida estéril

Nas estéreis ruas do acaso
vivem nuvens de bandeja-d'água
em cristalinas opas
que o vento empurra.
São dádivas mono mentais
escorraçadas pelas intempéries sociais
monogamias
alegorias
roupagens devolutas
que matizam os dias.
Nos acasos das ruas
morrem brandos costumes
de singelas feitorias
que arredondadas do nada
imperam de dóceis sabores
bordados pelos nocturnos
fantasiados
de homens do leme
que guiam o destino
dos que ficam por terra…
Morre o desejo
que enterra o sonho
mata-se o sem-abrigo
que na lentidão da vida
já morrera então…
Sobe o pano
com o amanhecer
e a vida
qual peça de teatro
recomeça
sedenta de tudo
voluptuosa
liturgia dos condes
que vivem das eternas esperanças.
Com a noite
chega o cansaço
que traz o abrigo
de mais um dia perdido.
Estéreis ruas
dos homens rasgados
que se anicham
no preme
do amanhã.
Morrem aos poucos
os vagabundos eruditos
nas ruas
que continuam estéreis
e do acaso.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Estou Só...

Há ilusões que confundem os transeuntes, desta avenida chamada vida. Há visões do que queremos e nem questionamos se a nossa verdade é tão real quanto a que colocamos na nossa mente. Há uma lua que pensa em mim nas noites em que adormeço devagar e em que me perco num sono pegado. Há, também um sol que acompanha os meus dias mais vistosos, aqueles onde passeio por entre outras pessoas que caminham como eu, em todas direcções, mas num séquito por decifrar…
Há tanta coisa, tanta gente e tanta ilusão misturada entre sonhos e entre dissabores arrecadados pelo negrume das ânsias e da falta do tempo perdido nas inconsciências dos actos e das perdas camufladas pela vontade de não as assumir. Também há tanta gente, que brinda aos inusitados espaços dos tempos e que percorre a mesma avenida desta vida, que é nossa, que é, principalmente de todos e, ainda assim, cada um puxa só para si, num acto inqualificável de puro egoísmo.
Que perdemos nós? Que ganham eles?
Afinal, nesta passadeira vestida de avenida, da vida de todos, estou no meio de uma multidão e no entanto, continuo tão só.
Estamos todos. Mesmo que não queiramos assumir essa realidade, fruto do nosso egoísmo, não deixa de acontecer essa aparente desilusão que se anuncia de normalidade e é um factor de diferença. Olha em teu redor e sente o quanto estás tão só.
Perto de tudo e de todos podes sempre perceber que, por vezes, continuas assim como eu. Tão só. Espero-te. Enquanto não chegas estou só…

Domingo, Janeiro 18, 2009

Carta a quem lê

Carta a quem lê...


Sou o que resta de mim, mas ainda a tempo para que vos comunique o meu último passo, que dou com uma mão ferida e um coração esmagado nas palavras que escrevo.
Os últimos dias que arrastei foram deixando cair as minhas personagens num marasmo inexplicável. Num sofrimento escondido, foram morrendo, uma após outra, de causas tão naturais, como o frio que ainda mata, ou como o medo que aterroriza e nos leva a loucura, ou ainda de falta de afecto, outra causa tão intensa como as anteriores. Várias razões foram acontecendo. Os meus dias foram apagados a pressa por não serem vividos. Tudo foi acontecendo num descalabro imprevisível e urge que essa consciência seja partilhada. Sei que, independentemente das causas, as personagens ficaram silenciadas primeiro, para depois receberem o golpe misericordioso, para que, num acto final, morressem na solidão dos meus actos.
Não. Não fui eu que as matei. Limitei-me apenas a assistir, sem que nada fizesse para evitar este trágico desfecho.
Resta-me um pedaço de mim em desgraça e um olhar que segue as palavras que também arrasto num sofrimento atroz, uma dor que deixa em mim um flagelo que me faz desejar e antecipar o meu próprio fim.
Não escreverei mais, e, desta despedida, fica um passado exposto em que posso recorrer para ler os meus dias, as minhas fantasias e os meus sonhos. Que leia quem quiser, que seja o que for, ninguém mudará o que aconteceu. Vivi cada frase com paixão, deixei-me em cada folha e entreguei-me de corpo e alma à emoção e a cada momento que criei. Mas cheguei ao final. Tudo é um ciclo e este fecha-se hoje, sem que antes, e nas minhas últimas forças, vos agradeça todo o apoio que foram dando nas visitas aos meus escritos ou nas mensagens que foram escrevendo.
Sobra-me a pessoa, projecto em ebulição, para que o caminho se faça em consciência e em linha recta, numa entrega total e em prol do próximo.
Grato por terem existido nas loucuras do meu imaginário e por serem tão reais quanto vos assumi, na brandura das minhas frases em que nunca se agigantaram.
Sois o melhor que levo. O melhor que guardei nas peripécias das letras que, um dia, iniciei. Por vós, sobra-me uma saudade, quase como a chuva miudinha que não é tão intensa mas que é constante e que deixa o mesmo efeito que outra chuva qualquer que seja mais e maior. Guardo-vos em mim, na parte que nunca morrerá. Até sempre!

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

"amar-te em silêncio"

Caros Amigos,

No próximo dia 7 de Fevereiro, na Amadora, vai ser o lançamento do livro da escritora Vera Sousa Silva, "amar-te em silêncio", com a chancela da Edium Editores.

"amar-te em silêncio", um livro de poesia de Vera Sousa Silva, construído por desejos e sonhos com sabores intensos, que nos transportam para um universo sentimental. Uma configuração de estados de um quotidiano na versão de uma mulher personificada e que aqui se expõe pelos actos, representados na poesia, e partilhados pela autora. Bons momentos para uma reflexão ou para uma apreciação natural, através de uma excelente leitura.

Podemos sentir cada mensagem intimamente, numa excelente escrita, num mesclado de momentos reais e outros imaginados, que prendem pela curiosidade e pela emoção que cada leitura cria.

Junto envio-vos uma pequena biografia da autora.

Em breve darei mais informações acerca da hora e do local deste evento.

Compareçam e divulguem!

Obrigado.



Biografia


Vera Sousa Silva nasceu em Lisboa, a 27 de Janeiro de 1974, residindo na Amadora, desde essa data, onde casou e foi mãe.

A poesia está presente na sua vida desde a infância. É, no entanto, uma escritora versátil, porque, embora escreva muito bem em poesia, consegue abranger outros géneros literários com a mesma intensidade e beleza. A sua escrita poética é bastante intimista com um traço tónico definido no amor. Prefere o estilo livre, mas tem também diversos poemas com rima e métrica, como por exemplo sonetos.

Escreve, com assiduidade no seu blog http://prosas-e-versos.blogspot.com/ e é ainda membro do site de poesia http://www.luso-poemas.net/ onde já desempenhou a função de Administradora. Também publica no site http://www.escritartes.com.

Em Fevereiro de 2007 lançou o seu primeiro livro de poesia "Pétalas Soltas" pela Corpos Editora, e, no final do mesmo ano, participou na antologia de poesia do site www.luso-poemas.net. Já em 2008 participou na Antologia de Prosa e Poesia do Luso-poemas, desta feita com prosas.

Ainda no Luso-poemas, participou em diversos concursos, tendo vencido em Dezembro de 2006 o Concurso Poema de Natal e, em Junho de 2008, o Concurso do Vinho, ambos na vertente de poesia, o que, desde 2006, lhe valeu o direito a condição de Membro de Honra daquele famoso site de poesia.

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Crónica - Aprende com as derrotas

Crónica

Aprende com as derrotas

Ainda tenho bem presente o sabor amargo de cada derrota que se intrometeu no caminho da minha vida. Ainda recordo a sua forma, a dor que veste e a ausência das soluções imediatas. Tenho, na memória, a lembrança provocada pela nítida sensação das injustiças, nem sei se das derrotas ou se da minha condição de derrotado, ou talvez de ambos, que senti aquando foram cometidas pelas várias derrotas do meu percurso. De todas absorvi um sumo que me ajudou a crescer. Ou seja, com todas aprendi.
Hoje recordo-as com o intuito de ainda aprender um pouco mais com elas, de saber, discernir os passos dados, os que provocaram as falhas, ou aqueles que se seguiram. Recordar as derrotas faz-me bem. Cria-me um medo saudável que me impede de cair no mesmo marasmo. Cria-me algum respeito, até por mim, mas essencialmente pela vida ou pelo que faço para que nela resulte, enfim, dá-me mais vitalidade.
No entanto, também não esqueço que não é fácil conseguir aprender com as derrotas, de início, pelo menos… Quando é preciso ultrapassar os receios ou as mudanças, quando é preciso saber parar e pensar… Ou até quando é necessário continuar o caminho de forma brava e ordeira. Sinto-me mais maduro. Hoje conheço outros sabores…E a vida continua!

Domingo, Janeiro 11, 2009

Talvez não saibas…

Toco no teu olhar
é tão macio
tão doce…
Talvez não saibas
que é a porta
que abre esse coração.
Toco na tua face
é tão hábil
tão bela…
Talvez não saibas
que é a janela
desse corpo.
Toco no teu sentimento
é tão nobre
tão puro…
Talvez não saibas
que o amor
é feito dessas imagens
desses passos
que não demos…
Talvez não saibas
nem queiras,
que o tempo seja capaz
de afagar os sentidos
de dar carícias aos momentos
enfim,
talvez não saibas
que existo tão perto…
Talvez,
talvez não saibas…

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Amizade

Há um sentimento que me faz feliz. Chama-se amizade e, ao que se diz, é tão eterna como a verdade.
Há, no rosto da amizade, uma presença, um olhar permanente, há, sem que se mostre, um sentido de ajuda e uma voz que ecoa na nossa mente.
Há ainda a memória, que, na sua ausência, nos aquece do frio e da distância que não ajuda, que não melhora…
Há tanta coisa que não se vê, há tanta emoção bem escondida que a voz cala e o coração grita. Há um silêncio sóbrio. Há, na mão, o poder do gesto que mostra a razão. Há até um amor que se prende, sem noção, que nos dá alento e que até se confunde. Há tanto na amizade que meras palavras não mostram quase nada. Que importa? A amizade não mente, nem tão pouco se anuncia, ela até pode ser pobre, porque é de toda gente, porque anda despida de valores materiais, porque é, apenas, de quem a sente…
Há um sentimento, em que sinto o seu nome, que se diz amizade e que me deixa tão feliz…

Terça-feira, Janeiro 06, 2009


A edium editores convida-o a estar presente na sessão de lançamento na zona de Lisboa de 2 títulos de António Rebordão Navarro reeditados agora pela n/chancela: trata-se do romance "Romagem a Creta" (primeira obra do autor publicada em 1964) e do poemário 27 Poemas (publicado em 1988). A sessão decorrerá no Hotel Alvorada, S. João do Estoril (em frente ao Casino do Estoril), na próxima quinta-feira, dia 8 de Janeiro, pelas 21.30 horas. A apresentação de obra e autor estará a cargo do Prof. Dr. Fernando J.B. Martinho.


Sobre o autor e sua obra:
António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi Delegado do Ministério Público em Vimioso e Amarante, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia. Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro. Foi co-director e também co-autor de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI. Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias. Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia-geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e é Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores. Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo, neerlandês e sueco. Em 2002 foi-lhe atribuído o "Prémio Seiva" (Literatura).
António Rebordão Navarro tem as seguintes obras publicadas: Romagem a Creta (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense, Barcelona, Um Infinito Silêncio, Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970), O Discurso da Desordem (1995), O Parque dos Lagartos, Bertrand (1981), Mesopotâmia, Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984), A Praça de Liège , Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988), As Portas do Cerco (1992) romance traduzido para francês e neerlandês, Parábola do Passeio Alegre (1995), O sulco das sombras, o qual recebeu posteriormente o título Romance com o teu nome, Campo das Letras, 2005, e foi distinguido com o Prémio Literário Florbela Espanca, 2003, Amêndoas, doces, venenos, Campo das Letras, 1998, (editado em Itália com o título Mandorle, Dolci e Veleni pela editora NonSoloParole, Todos os tons da penumbra, Campo das Letras, 2000. Contos: Dante Exilado em Ravena (1989). Crónicas: Estados Gerais (1991), Lello Editores. Teatro: O Ser Sepulto (1972) e Sonho, Paixão, Mistério do Infante D. Henrique, Publicações D.Quixote. Ensaios: Domingos Pinho e o Sistema das Representações Simultâneas e Juro que sou Suspeito - O Processo de Adultério em Camilo em 15 Alíneas. Poesia: As Três Meninas e Outros Poemas (Porto,1952, Edições Augusto Navarro); Outro Caminho do Mar (Porto, 1953, Colecção Bandarra, n.º 2); O Mundo Completo (Porto, 1955, Colecção Bandarra, n.º 6), Os Animais Humildes (Porto, 1956, Edição do Autor); Poema para Anne Frank (Coimbra, 1958, Separata da Revista Vértice); O Dia Dentro da Noite (Porto, 1960), Notícias do Bloqueio, Aqui e Agora (Lisboa, 1962 - Ed. Sagitário); O Inverno (Porto, 1978 - Ed. O Oiro do Dia); 27 Poemas (Porto, 1988, Editora Justiça e Paz); A Condição Reflexa (Poemas, 1952-1982) (Lisboa, 1990, Imprensa Nacional Casa da Moeda), Longínquas Romãs e Alguns Animais Humildes - Antologia Poética, Edições Asa, 2005).

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Aprende com as derrotas

Não inventes nada
que o mundo não veja
não fujas da verdade
mesmo que seja só tua.

Aprende com as derrotas
a encontrar os caminhos
da virtude que se deseja
e da noção que apazigua.

Vem comemorar
com alegria e entusiasmo
vem ensinar
o que aprendeste na derrocada
entre lutas que venceste a chorar
nas noites de insónias
que o tempo levou.

Vem! Há sempre quem
precise de aprender
há sempre alguém
para reviver…

Não inventes
os mistérios da inveja
não tentes
essa mentira nua,
que pela rua corre
escondida que de si morre.

Vem brindar
porque mesmo na derrota
aprendes a ser mais forte, mais feliz
porque entendes
que há mais oportunidades
é a vida quem o diz
nas letras espalhadas pelo teu caminho…

Aprende nas derrotas
a sentir um dia de cada vez
a caminhar nos insólitos da vida
transforma esses pedaços
em força, em altivez
e faz dos teus passos
o olhar de quem aprendeu
de quem nas derrotas cresceu
e continua no seu caminho.

Ensina-me o segredo
em troca deste poema
de letras mortas,
ensina-me a perder o medo
deste dilema
em aprender com as derrotas!

Domingo, Janeiro 04, 2009

Apresentação da reedição de 2 Obras do escritor António Rebordão Navarro



Apresentação da reedição de 2 Obras do escritor António Rebordão Navarro

Será na sala do Hotel Alvorada - Estoril (em frente ao Casino)- Dia 08 (Janeiro/09) pelas 21h30m

Relembro que:

Estas duas obras aqui apresentadas - o 1º romance por ele escrito, "ROMAGEM A CRETA" e o livro de poesia "27 POEMAS" - deste autor, são agora reeditadas pela EDIUM EDITORES.

Se puder, não falte.

Obrigado.

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

Um desejo para 2009

Que o preço dos livros em Portugal baixem!

Se escrever é tão difícil, há um fantasma real que os mata, que os trucida, num silêncio complexo e de uma forma unânime, que acontece desde da sua nascente até que chegue, ou não, as mãos do leitor, seu destino por excelência.

Baixar o preço dos livros, mais que um acto de coragem é salvar a literatura, é salvar uma sociedade sem poder, sem tempo e com um futuro limitado. É ser consciente.

Salvem-nos! Baixem os preços dos livros, por favor!

Que 2009 traga vozes e os olhos que possam ajudar a mudar esta realidade actual.

Um livro não morre no tempo, só os leitores acabam lentamente… Salvem-nos!

Obrigado.

Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

Próspero Ano 2009

Hoje é tempo de avaliar o ano de 2008. Nele cabe, e muito, o que aconteceu neste blogue e o que as pessoas que aqui passaram, leram e ou comentaram.
Por isso, ao olhar para este ano que agora finda, não esquecerei o que aqui vivi.
Tudo, num todo foi, um grande processo de aprendizagem.
Hoje é tempo de agradecer a todos. A todos quero desejar que este ano que agora se inicia seja de, harmonia, de amizade e especialmente de muitas leituras.
Desejo que a felicidade possa estar sempre presente nas vossas vidas.
Desejo que novos e ambiciosos projectos sejam iniciados, para serem concluídos com sucesso.
Desejo que a vida seja feita de vontades próprias e que traga sorrisos no olhar…
Hoje é tempo de assumir que 2008 ficará guardado, e bem guardado, no meu tesouro que apelido de baú da memória.
Para todos, sem excepção, desejo o triplo do que me desejam.
Que mais um ano seja sinónimo de força, inteligência, e pureza dos sentidos.
Obrigado por existirem.
Obrigado por me visitarem.
Obrigado por me lerem.

Próspero Ano 2009

Paulo Afonso Ramos
01/01/2009

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Espero

Espero pelo tempo que há-de vir, aquele que ansiamos, quando acreditamos que, com ele, virá outras coisas associadas. Rosas. Incenso. Ventos amigos e outras ilusões que, em segredo, guardamos só para nós…
Perco-me nesse tempo por chegar e falham-me as palavras. Aos poucos vou deixando de escrever, embora nunca deixe de sentir, mas a vontade prega-me uma partida e recusa-se a incentivar-me na escrita. Espero. Espero nas dobras do meu acaso e nas sombras dos épicos ilustres que, iludidos, fazem uma festa colossal de mais um ano que finda.
Não quero festas! Não quero épicos ou não, ilustres por acontecer! Não quero e isso basta-me… Não querer também é ser maior, também é ser corajoso e também é saber esperar. Espero. Pelo tempo sem fim, aquele que há-de vir, mas que não sei se virá. Esperar é tudo o quanto sei, é tudo quanto sinto e mas nem sei se sei, ou se quero saber. Basta-me a palavra – espero – e assim continuo vivo e a sorrir, não importa como me sinta por dentro se, por fora, todos me vejam a sorrir.
Exequível.
Sabor.
Perfeito.
Etéreo.
Raro.
Opulento.
São apenas letras, que fazem da palavra, isolada, o caminho da viagem. Sem que alguém entenda ou saiba que espero por um tempo, para que, também eu, possa entender o que penso, do tempo, da espera e da vida que, num tempo teve, na espera o caminho de estar num tempo de ninguém.
Espero. De certo por ninguém, apenas e só por um corpo que se diz meu. Perdoem-me. Espero que também possa ser alguém…

Domingo, Dezembro 28, 2008

Sem Mais…

Vejo esta folha de papel toda coberta de negro. Pego na caneta de tinta branca e começo uma nova aventura. Sem que nada tenha para escrever, não hesito, e desenho letras na esperança, lenta, de acabar com o negrume que também evade a minha alma. O resto virá por acréscimo. Nascerá uma qualquer história do nada e a vida acontecerá.
Entre mim e esta folha de papel moram uns quantos tesouros e uns quantos espíritos que fazem deste espaço o seu lar. Contam-nos pequenas histórias, em segredo silenciado, e eu trago-as a público como minhas. Mas, nunca poderiam ser minhas se de negro me sinto, se nada tenho para escrever ou se nem sequer consigo imaginar…
Nunca desisto. Quero escrever sempre. Chamo mais letras que, de sorriso aberto, aparecem umas atrás de outras, e sem que eu saiba, são elas que dão vida a folha de papel, quando se organizam na mensagem que os olhos conseguem ler. Brincam entre si e desafiam os leitores a lerem nas entrelinhas, outras mensagens, outras aventuras, num perplexo jogo de silêncios, cores e abstractos gestos acutilantes.
Algumas vezes até penso que tudo se origina em mim. Pura loucura. Mas o mais gracioso, sem que graça tenha, é o facto de que os poucos que me lêem acreditam que sou mesmo eu que escrevo. Pura ilusão. Mítica alusão.
Apenas pego no papel e deixo-me ir, desembrulhando mensagens envolvidas num misterioso contorno que nunca aprendi, e que, por isso, não conseguirei explicar. Também não importa, basta que junte as letras, basta que elas desenhem a frase – não fui eu – basta, para mim, e talvez baste para quem lê. Não importa!
Como uma brincadeira que substitui o tempo da meninice, que muda as diversões de criança, o que escrevo – embora não seja só meu – dá-me um lúcido prazer e ajuda-me a viver. Transporta-me de estados esgotados para estados mais etéreos, transporta-me, na leveza da alma, para o supremo desejado, mesmo que inalcançável, a viagem iniciada e o desejo de conseguir distraem-me e aliviam o meu sofrimento.
Lentamente vou retirando a capa negra do meu corpo inflamado, e num passo dado, cresço dentro de mim, com as palavras que consumo.
Entre mim e esta folha amiga, há uma cumplicidade lúdica, onde fogem os dissabores, mesmo que por escassos momentos, e nascem outros secretos eventos.
Voltamos sempre para conversar, partilhar, confessar ou recriar os sonhos de papel, e os outros imaginários das personagens que não conheço, ainda que habitem em mim, como tesouros ou como desenhos dos espíritos. Este é o nosso lar. A nossa condição. Mesmo que importe a alguém…
Ou não!
O caminho se fará num tempo perdido, mas chegará no seu adequado tempo dos que já não conseguem existir de outra forma…
A mesma tinta branca com que pinto a folha de papel, serve para pintar o meu rosto, até que chegue a alma, até que vire fantasma... se assim tiver que ser…

Sábado, Dezembro 27, 2008

Crónica do dia seguinte

Há um frio intenso que atemoriza o querer. Um nevoeiro sóbrio preenche a planície com um manto branco. Uma quase ausência de pessoas na rua complementa este quadro que o Dezembro oferece. O Natal já faz parte do passado, só os caixotes do lixo, cheios de caixas de brinquedos e outros papéis decorativos, ainda difundem esta quadra.
Há também um silêncio estranho. Triste. Parece que o mundo parou. Deve ter parado nesta madrugada, depois das emoções das crianças e do desgaste dos adultos, obra de mais um Natal cheio de dificuldades. Se uns nem perceberam, é porque os outros não quiseram quebrar a tradição, mesmo que, para tal, o esforço tenha sido suplementar.
Das crianças, atulhadas em brinquedos dispersos, depois da ansiedade de descobrir cada brinquedo, há o desprezo dos restantes brinquedos, substituído pelo desejo de alguns que não tiveram e. São os pequenos a aprenderem a ser grandes…
A vida continua. Há o sentido do dever cumprido que se mistura com a esperança de um novo ano melhor. Muito melhor. Coisa que só a esperança ainda consegue fazer acreditar.
Agora resta esperar pelo novo ano. Tudo acontecerá naturalmente e, em breve, estaremos no cerne de mais um campo de várias batalhas intermináveis.
É assim que a vida nos acontece. Até que volte o tempo de bebermos mais um pouco do espírito natalício, que, embriagados pela corrente em prol das crianças, sejamos inseridos num ritual estranho, embora familiar, e com o medo de não sermos diferentes de todos, para que assim não possamos quebrar a tradição, que, mesmo que podre, ou fantasiada, continua a ser consistente nesta sociedade mascarada de bondade.
É assim que, ciclo após ciclo, vamos vencendo os nossos dias, sempre com o pretexto e a esperança de braço dado. Também já fomos crianças e agora, como adultos, temos mais culpa e responsabilidade no que acontece, seja no dia de ontem, de hoje ou mesmo no dia seguinte… Nada interessa se amanhã houver outro Natal igual…

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Uma dúzia de respostas a um iluminado e uma pergunta a quem lê

A luz serve para mostrar o que somos, pena é que alguns se esqueçam depressa de que, tanto mostra a parte boa como a outra…

Se o olhar não tocar na alvura, deve ser o sentir a tocar, para que a existência faça sentido…

Se não tentares o que queres, não faz sentido querer…

Conhecer o verdadeiro sentido das palavras é estar mais próximo da escrita, das vontades e das contendas literárias.

Existir é fazer história. A própria história é feita por existências que primaram pela diferença.

O umbigo é o ponto que marca o centro do corpo e a profundidade do ego.

O controverso é a base do querer evoluir, só faz sentido se for para clarear os conhecimentos e ajudar a fundamentar as ideias.

Quem não sabe viver com a diferença, não sabe viver bem consigo próprio.

Aprendemos muito mais nos erros que cometemos do que nos sucessos que temos, uns obriga-nos a pensar e os outros a festejar.

A verdade não é única, depende das conjecturas, dos meios e do tempo.

A mentira é irmã da verdade, mesmo que disputem a mesma frase.

Não vale a pena ser superior se não o fizer com o propósito de ajudar.

Conseguem encontrar uma só pergunta onde estas respostas entrem todas?

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Carta de Natal 2008

Não quero escrever uma carta. Não uma carta qualquer. Embora não a possa enviar, tão-somente porque não tem um destinatário concreto, ou melhor, um qualquer destinatário não a receberia mesmo que soubesse que esta carta é singela e sem um propósito camuflado. É simples. Tão simples como a escrita que a preenche, e tão singela como a forma como é feita.
Neste Natal de 2008 não queria pedir o que todos pedem - o fim da fome no mundo, ou o fim das guerras, ou outras coisas que só nesta altura se lembram. Não. Neste -Natal queria apenas pedir uma única coisa. Simples. Sincera.
Queria pedir que uma palavra – Amizade – fizesse sentido para mim, o verdadeiro sentido que lhe reconheço, e que esse mesmo sentido nunca tivesse quebras, que nunca ficasse pendente e, se possível, que durasse todo o ano, ano após ano, até aos últimos dias de luz do meu olhar. Depois partiria em paz para o descanso eterno.
Mas, como não quero escrever qualquer carta, porque, mesmo que quisesse, não saberia para quem a mandar, ou não saberia que seria recebida e lida, talvez seja melhor continuar a lutar com esperança por melhores dias…
E eu que só queria que as amizades fossem em pleno, só queria ser o menos imperfeito possível e, ainda que difícil, queria não ser julgado por pessoas, que, como eu cometem erros, que, como eu, conhecem os labirintos da vida… Queria ser perdoado no perdão possível. Queria... Neste Natal queria escrever uma carta, mesmo que não fosse lida, que falasse de amizade e de tolerância…
Queria tanto, mas tanto, que tão pouco me enche a alma.
Neste Natal, quando todos adormecerem, ficarei na janela da minha esperança, sentado na cadeira das longas esperas, aguardando que um carteiro vestido de vermelho passe e me deixe um presente especial, o de receber uma carta qualquer, que, mesmo sem muitas palavras, responda, numa só linha, ao apelo de amizade e tenha a condescendência de saber perdoar os erros que, inadvertidamente, cometi.
Depois, nas palavras que enviarei, escolherei as que o meu coração ditar…
Certamente que saberei agradecer, retribuir o gesto, mas, mais que tudo, aprenderei que as novas oportunidades devem fazer de nós pessoas melhores.
Neste natal uma única prenda será maior. Basta que traga dentro uma pequena amizade e que, por fora, o papel tenha o meu nome.

É tão simples que me faz acreditar… neste Natal de 2008.

Domingo, Dezembro 21, 2008

O poema enganador

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares; Autopsicografia; Publicado em 27 de Novembro de 1930


O poema enganador


Escrevo um poema tentador
na tentativa de expulsar
o que o corpo diz ser dor
e que a mente não quer afastar.

Escrevo com o sangue ainda quente
roubado,
da ferida aberta, desta alma carente,
o poema inventado.

Escrevo. Imaginando o poeta
feito guerreiro, pensador, ou artista
escrevo a ideia, querendo ser profeta,
amante ou um idealista.

O poema é enganador, mentiroso
esconde a voz, a alma, e a semente
chega a ser tão habilidoso
que diz que é verdade o que mente.

E enquanto mata, o homem pateta,
nas guerras da loucura, e do horror,
há um outro homem poeta
que faz um poema enganador,

e a gente lê o que escreve
sonha, e a alma aquece, no acreditar
do poema que nunca teve
e assim a gente esquece, a realidade que nos está a matar,

o que importa é viver, mesmo que enganado
entre o amor e o ódio simplista
haja um homem bem mandado
e um outro ilusionista,

há um poema enganador, mas airoso
que canta versos de neve
há um poeta que luta, tão poderoso
que inventa, um novo mundo, que nunca teve.

Sábado, Dezembro 20, 2008

Palavras In (Contidas)

Conheço as palavras desde o tempo de meninice. Brinquei com elas sem a consciência do seu poder, joguei-as ao vento como um jogo qualquer e soube viver feliz dentro delas. Cheguei a pensar que seria uma mera palavra, talvez até uma frase indefinida ou que uma simples letra definiria a minha presença. O meu nome, enfim, o meu ser…
Corri atrás das ideias que as palavras contêm e pacientemente esperei noites a fio para descobrir e entender os sentimentos que albergam. Fiz de tudo com as palavras. Amei numa frase sentida, perdi-me, matei amizades e nunca percebi que o meu verdadeiro amor era a própria palavra…
Feri tantas palavras pelo tempo e elas nunca deram um grito ou um gemido. Fiz da palavra o meu escudo e também a minha lança nas batalhas literárias. Vesti-as de raiva ou de sofrimento num qualquer texto que quis escrever, sem nunca pensar que as palavras, contidas, pudessem ter uma vida maior do que aquela que lhes queria dar. Cresceram em mim, palavras incontidas, que ganharam forma e se fizeram a vida. Vi-as partir. Vi o seu rasto e as manchas de sangue que provocaram nos distúrbios que fizeram por onde passaram, senti as lágrimas da despedida, como quem parte para sempre e ainda assim, por amor, perdoei e compreendi o seu longo curso, aceitei a sua independência e deixei-as serem elas próprias… Amar é mesmo assim, é dar liberdade, é deixar que o destino faça a sua parte, é sofrer em silêncio e resistir. Resistir a tudo!
Conheço as palavras, mas não todas, porque são uma numerosa família com parentes mais afastados e com as quais nunca tive qualquer relação. E dessas que, por vezes, poucas vezes, nos visitam, deixam-nos uma marca forte na vida, primeiro de surpresa (quanto mais não seja pela visita) e depois pelo efeito que nos provocam, que também provocam aos que as lêem ou aqueles a quem, carinhosamente, as oferecemos.
Assim é a vida. Perdi a meninice, e ainda brinco com as palavras, perdi amizades e não me desfiz da palavra e até perdi amores que nas próprias palavras se diluíram. Ainda só não perdi o amor a palavra, que, estoicamente, permanece, mesmo com a verdadeira noção de que um dia morrerei numa palavra qualquer, ou mesmo que possa ser a própria palavra a matar-me, vou continuar a amá-las sem que precise de encontrar razões ou tão-pouco precise de explicar coisa alguma. Basta-me saber conhecer o amor e identifica-lo na mais humilde palavra, contida ou incontida, mas sempre na palavra. E basta-me entender o amor, entender sempre essa união entre a palavra e o amor!
Por ora, permaneço entre um silêncio mítico e a palavra sábia, num gesto natural de quem quer aprender, aprender a conhecer a natureza humana que existe e se mistura com as palavras, sejam contidas ou incontidas, num perplexo consentimento eternamente paciente. Fecho-me na palavra até querer, até que o amor reapareça…
E numa despedia, solta-se o gemido, dando voz à saudade.
Saudade – é a já palavra que cobre o meu corpo e com que me deito, na esperança que me leve aos sonhos, substituindo uma realidade pobre, e que assim me prenda, que me preencha os espaços dos meus desejos por cumprir.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Divido-me

Divido-me entre as árvores que, no campo, ficam de pé e as ondas que, na praia, eclodem… Divido-me entre o dia apressado e a noite calma, em que me desprendo das cordas sociais, que me amarram, mais a minha mente do que o meu próprio corpo, e consigo aproximar-me mais da natureza. Da minha própria natureza, que por vezes é como uma árvore bem plantada que, pacientemente, vê os dias fugirem-lhe, ou outras vezes, mais parece as ondas de um mar revolto que encontra em cada praia a oportunidade de rebentar, logrando da sua inércia, para assim matar os dias perdidos nos gestos dos meus dissabores. Ainda me sobram os dias e as noites em que não vivo, onde sobrevivo das lacunas de um tempo quase imperfeito.
Continuarei a ver os dias morrerem, até que chegue a minha vez, entregando-me as alternativas que a vida me dá. Vivendo nos intervalos dos nossos momentos e recebendo a bênção das amizades que vou fortalecendo. Contra as intempéries e os agrestes desejos, vou no meu caminho, crescendo e evoluindo, para que possa ter a capacidade de discernimento e absorção do tempo que me resta.
O resto é como as chuvas do mundo, que molham apenas quem anda perdido nas ruas da ineptidão…
Recolho-me no templo da fé e acredito no mundo que me rodeia…

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Desperdício da vida

Hoje recordo o teu olhar, pensativo e em constante ebulição, quando imaginas os possíveis cenários dos filmes da tua vida. Acontecidos ou por acontecer. Recordo os contornos do teu corpo, que veste o charme e encanta num silêncio apetecido. É assim que preencho a tua ausência, embrenhado nos pensamentos que vagueiam por mim.
Hoje és o desperdício da vida que não assumi. Hoje é o tudo e o nada. Há dias e noites em que nada me aquece e tudo arrefece o calor que ainda resta de mim. Recorro. Quero-te como te vejo. Esbelta e próxima.
Hoje és a lua da minha noite solitária. És um presente imaginado neste natal real.
Recorro às imagens, aos pensamentos e também eu construo os meus cenários dos possíveis filmes da minha vida. Aprendo contigo. Sorrio quando sorris e fico triste quando choras, nessas lágrimas que escapam desse rosto lindo. Fazes-me falta, num sorriso ou num olhar. Fazes-me falta até num adeus.
Hoje quero-te por perto, mesmo que não possas, quero sentir o teu olhar e a tua voz. Não será a distancia que impedirá. Só tu podes fazê-lo… Mas, por favor, hoje não!
Dá-me pelo menos este dia, para que seja meu por inteiro, nem que seja apenas e só hoje… Dá-me porque preciso tanto de ti!

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

REEDIÇÃO DE "ROMAGEM A CRETA" E DE "27 POEMAS" DE ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO



Caros amigos,

Pela segunda vez, (a primeira foi quando da edição de "dibaxu" de Juan Gelman) vos faço pessoalmente o convite para estarem presentes numa sessão de apresentação de um livro, neste caso dois. Trata-se da reedição, sob chancela da edium editores, de duas obras do emérito escritor António Rebordão Navarro: "Romagem a Creta" (primeiro romance do autor, publicado em 1964) e do poemário "27 Poemas" (publicado em 1988).

A vossa presença, para além do merecido tributo que prestam ao valioso percurso literário de António Rebordão Navarro, é também muito importante para a edium editores.

O evento decorrerá no Palacete Viscondes de Balsemão (Praça Carlos Alberto, Porto) na próxima quarta-feira, pelas 21.00 horas.

Se puderem, não faltem.

Obrigado,

Jorge Castelo Branco



Sobre o autor e sua obra: António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi Delegado do Ministério Público em Vimioso e Amarante, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia. Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro. Foi co-director e também co-autor de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI. Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias. Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia-geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e é Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores. Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo, neerlandês e sueco. Em 2002 foi-lhe atribuído o "Prémio Seiva" (Literatura). António Rebordão Navarro tem as seguintes obras publicadas: Romagem a Creta (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense, Barcelona, Um Infinito Silêncio, Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970), O Discurso da Desordem (1995), O Parque dos Lagartos, Bertrand (1981), Mesopotâmia, Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984), A Praça de Liège , Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988), As Portas do Cerco (1992) romance traduzido para francês e neerlandês, Parábola do Passeio Alegre (1995), O sulco das sombras, o qual recebeu posteriormente o título Romance com o teu nome, Campo das Letras, 2005, e foi distinguido com o Prémio Literário Florbela Espanca, 2003, Amêndoas, doces, venenos, Campo das Letras, 1998, (editado em Itália com o título Mandorle, Dolci e Veleni pela editora NonSoloParole, Todos os tons da penumbra, Campo das Letras, 2000. Contos: Dante Exilado em Ravena (1989). Crónicas: Estados Gerais (1991), Lello Editores. Teatro: O Ser Sepulto (1972) e Sonho, Paixão, Mistério do Infante D. Henrique, Publicações D.Quixote. Ensaios: Domingos Pinho e o Sistema das Representações Simultâneas e Juro que sou Suspeito - O Processo de Adultério em Camilo em 15 Alíneas. Poesia: As Três Meninas e Outros Poemas (Porto,1952, Edições Augusto Navarro); Outro Caminho do Mar (Porto, 1953, Colecção Bandarra, n.º 2); O Mundo Completo (Porto, 1955, Colecção Bandarra, n.º 6), Os Animais Humildes (Porto, 1956, Edição do Autor); Poema para Anne Frank (Coimbra, 1958, Separata da Revista Vértice); O Dia Dentro da Noite (Porto, 1960), Notícias do Bloqueio, Aqui e Agora (Lisboa, 1962 - Ed. Sagitário); O Inverno (Porto, 1978 - Ed. O Oiro do Dia); 27 Poemas (Porto, 1988, Editora Justiça e Paz); A Condição Reflexa (Poemas, 1952-1982) (Lisboa, 1990, Imprensa Nacional Casa da Moeda), Longínquas Romãs e Alguns Animais Humildes - Antologia Poética, Edições Asa, 2005).

http://ediumeditores.wordpress.com/proximos-lancamentos/

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Auto-Estima

Cresci num canteiro plantado nos confins do Universo. Chamaram-me Rosa. Vestiram-me de outras cores, porque, o meu olhar era triste, parado e só procurava o Sol.
Nascera assim, rosa, e nem o amarelo ou o vermelho, ou outra cor qualquer, emprestada, mudou o meu olhar. Faltava-me qualquer coisa que as cores nunca enroupavam.
Chamaram-me linda, ao ouvido, e nunca consegui ver o rosto dessa voz porque nunca tive a coragem de o olhar olhos nos olhos…
De longe ouvi gritos que apelavam à beleza da minha esbelta presença, e eu, de olhos postos no céu, nunca acreditei… tão pouco quis saber se era verdade.
Hoje, sem outras cores, sem outras roupagens, permaneço quase imóvel neste mesmo canteiro nos confins do Universo e já nada muda. Se um dia tiver outra oportunidade, e serei eu a pedir, não uma cor ou um brilho, mas apenas um pouco de auto-estima.
Depois até os espinhos terão mais valor para mim…

Domingo, Dezembro 14, 2008

Apresentação do Livro da Amiga Carla Costeira


Mergulho no Mar da Poesia – Carla Costeira

Começo por cumprimentar a mesa. Cumprimentar todos os presentes também e agradecer o convite que me foi feito pela poetisa Carla Costeira, que me honra e deixa sensibilizado. Espero poder estar a altura de tamanha responsabilidade.

Comecemos então pelo título. Dividindo-o. Mergulho – Acto de mergulhar ou verbo Mergulhar – sabendo que ambos aqui se podem aplicar. Poderia dizer-vos que é uma afirmação da Poetisa que se envolve de corpo e alma na construção deste livro.

no Mar – este mar não é só um oceano é também um mundo abstracto da autora onde se expõe e partilha, o que é, no que faz, aqui usando a escrita.

da Poesia - elo de ligação entre todos, que aqui nos traz e que todos gostamos de ler e outros, como a Carla, também de a escrever.

E, duma forma breve, fica, assim, analisado o título deste livro.

Entremos agora no próprio conteúdo do livro para bebermos as intenções e saborearmos cada emoção exposta.

Não sendo necessário aprofundar cada poema, ao lermos este conjunto de poesia, podemos perceber, de imediato, que este livro é muito pessoal, transmite-nos, na íntegra um lote de qualidades da poetisa, pela forma como a mesma se entrega ao que escreve.
Este corpo de poesia, puro, demonstra, por outras palavras, que existe em cada poema uma mulher sensível.

“…escrevo no livro aberto do meu peito” – escreve a autora no poema Ave Costeira

Consegue assim entrar no mundo introspectivo e dele sair para abranger outros estados, para agarrar outras realidades.
Viaja pela natureza, vai à reflexão, vive na tristeza da dor e dela parte para o mundo social que nos rodeia, quando aborda os flagelos da sociedade, porque os poetas estão atentos ás realidades que os rodeiam, não escrevem só sobre os amores e desamores das suas vidas.

Há fases de uma tristeza profunda, mas há, em todos casos, uma certeza – este livro é de emoções e é feito com o coração.

Sobre o livro oferece-me dizer-vos isto, sem querer aprofundar muito para não vos retirar o prazer de o querer ler. Faço assim da minha apresentação algo mais de alerta, no sentido de que devem ler para terem a vossa própria opinião também.
Queria, a propósito, falar-vos das apresentações que tenho acompanhado, em que é comum falar-se de várias coisas, grosso modo, da sociedade onde estamos inseridos, da conjectura política, e há até, por exemplo, casos que se fala da política externa e até da política mundial.
Não é que não estivesse preparado para o fazer, estaria certamente, no entanto, não esse caminho que escolho porque não quero ir por aí. Não entendam esta abordagem como uma crítica, mas antes uma leve introdução explicativa para a minha opção em apresentar esta obra.
Prefiro falar-vos de Poesia e do que a mesma envolve.
Prefiro falar dos sonhos que se realizam e das emoções que os acontecimentos geram. Prefiro falar de boas leituras e de livros que foram feitos com muito amor, muito carinho e uma entrega absoluta. Afinal foi por esse motivo que fui convidado.


Ainda dentro dos parâmetros das apresentações que tenho acompanhado, e sempre que perto do fim há uma pequena conversa, numa cruzada de perguntas e respostas normal, entre as pessoas da plateia e os autores, há sempre uma pergunta que é feita e que nunca consegui entender a sua verdadeira dimensão ou a sua intenção. Como é que se pode perguntar ao autor/a – Para quando o próximo livro? Se, muitas vezes, ainda não lemos o que acaba de nascer. Se ainda nem percebemos bem o verdadeiro encanto desse mesmo objecto, se ainda não captamos a mensagem que ele tem para nos oferecer. Creio que será um sintoma dos tempos actuais, ditos modernos, em que fazemos tudo a correr e não temos tempo para saborear nada. O que, de facto, não se pode aplicar aos livros, porque estes, depois de feitos devem ser saboreados, devem tem o seu tempo de maturação nas mãos do leitor e devem ser apreciados de amplas formas e em circunstâncias diferentes. Defendo que um bom livro pode, e deve, ser lido duas vezes. A primeira para matar a ansiedade de descobrirmos o que o mesmo contém e o seu desfecho e a segunda para podermos usufruir dos pormenores que deixamos passar nessa primeira leitura. Provavelmente não serei o único nesta sala a defender esta condição.

Importa hoje realçar o momento, a honra em participar nele e assumirmos que o primeiro passo da nossa poetisa Carla Costeira foi dado com sucesso. Esta jovem mulher, generosa e sensível, merece que este momento seja de grande empenho e uma grande recordação. Que seja o primeiro passo de muitos outros, bem sustentados e de grande relevo. Como a minha intervenção foi diferenciada, termino talvez da forma como a devia ter começado, dando os parabéns aos presentes que, numa sexta-feira de frio, saíram das suas casas e dos seus empregos para estarem aqui connosco, aos que ajudaram a promover este evento, aos que participaram nele, e aqui permitam-me que faça uma referência especial à nossa voz de ouro cujo nome é Sandra Rodrigues que, no exacto momento que foi convidada, se disponibilizou numa demonstração de grande amizade, e à Editora – Edium Editores – pela coragem de continuar a apostar nos novos valores da nossa terra. Parabéns a Poetisa Carla Costeira por ter tido a coragem de chegar até aqui, dando os passos necessários para que este dia acontecesse e muito bem.
O meu agradecimento pelo convite em poder estar ao seu lado neste momento tão especial.
Termino com o desejo de um bom natal para todos.
Obrigado a todos por existirem.

Lisboa, 12 de Dezembro de 2008

Sábado, Dezembro 13, 2008

Pontos de venda da Edium Editores

Pontos de venda da Edium Editores

* Aveiro - Livraria ABC - Rua José Estevão, 56
* Aveiro - Livraria dos Arcos - Rua dos Mercadores, 12

* Braga - - Centésima Página (Av. Central 118-120) www.centesima.com

* Bragança - Livraria Rosa D'Ouro - Praça da Sé, 23

* Caldas da Rainha - - Livraria Loja 107 (Rua Heróis da Grande Guerra, 107/109) - www.cavacasdascaldas.blogspot.com

* Coimbra - - Casa do Castelo (Rua de Sofia, 47/49)
* Coimbra - - Livraria 115 (Praça 8 de Maio, 109) - www.livraria-115.com

* Guimarães - -Centésima Página, São Mamede – CAE – R. Dr. José Sampaio, 17-25

* Lisboa - - Livraria Barata, Avenida de Roma, 11A - www.livrariabarata.pt
* Lisboa - - Livraria Portugal, Rua do Carmo, 70 (Chiado) - www.livrariaportugal.pt
* Lisboa - - Livraria Trama, Rua S. Filipe Nery, 25-B (ao Rato)

* Matosinhos - - Livraria Espacial (Av. da República, 1088)
* Matosinhos - - Livraria Marques Ribeiro (Rua Brito Capelo, 193)

* Mem Martins (Grande Lisboa) - Papelaria Pinguim (Estrada de Algueirão)

* Porto - - Poetria - Livraria Temática de Poesia e Teatro (Rua das Oliveiras, 70)
* Porto - - Unicepe - Coop. Estudantes Livreiros - Praça Carlos Alberto, 128 A (aos Leões em frente à reitoria da UP) - www.unicepe.com

* Évora - - Livraria Nazareth & Filhos (Praça do Giraldo, 46)

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

“Meu Coração Está Como O Céu”

Tenho o olhar preso ao céu. Envolvido no azul-escuro a tentar perceber cada mensagem desenhada pelas nuvens, que soltam lágrimas de um choro universal e em que o meu rosto se envolve na partilha dessa mesma dor…
É essa cor triste e pesada que arremessa as lacunas do meu sentimento ferido. Sofro de insanas tempestades dentro de mim. Sofro de angústias nocturnas que guardo num cantinho só meu, só para mim, como um tesouro, que defendo dos piratas das Caraíbas.
O meu Universo é o céu, é o meu coração aberto que ama cada segundo do mundo, mesmo que se sinta tão só. O meu coração está como o céu, triste, silencioso, confrangido mas que, ainda assim, sorri timidamente para os que o amam. São tão poucos. E é o mesmo céu que abrange toda gente, que cobre os rostos do mundo e que dá alento aos solitários quando convida o sol a sorrir…
Um sorriso faz uma onda de calor e traz as cores do arco-íris, que livremente, passeiam pelo mesmo céu que outrora chorava. É de momentos que vivemos, dos que guardamos para sempre no baú da nossa memória. São tantos e diversificados que uns sobressaem dos outros.
O céu mudará as vezes que quiser, mas o meu coração ainda será como o sol, que brilha no céu e muda cada olhar…

Domingo, Dezembro 07, 2008

Mergulho no Mar da Poesia





A 12 de Dezembro pelas 21.30 horas, no auditório sito ao Campo Grande 56, na cidade de Lisboa, será apresentado o livro ”Mergulho no mar da poesia” da neófita poetisa Carla Costeira; obra e autora serão apresentadas pelo escritor Paulo Afonso Ramos. A autora de 36 anos nasceu em Lisboa e reside em Mem Martins, Sintra. O poemário vem prefaciado por João Filipe Ferreira.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Morreu o poema

Fiz um poema
das palavras que escolhi
encenei-lhe a cena
para que o lessem assim,
ao jeito, como se fosse para mim
pensei na paixão
pensei no que sou
e desse poema
outrora meu
perdeu-se o fim
o encanto também
e mais além
encontrei frases soltas
ficou apenas as palavras
que não quis para mim.
Afinal,
não fiz um poema
empilhei as palavras
na ânsia de as mostrar
sem que desse tempo
ao tempo que preciso
para que nascesse de mim
o poema que nunca tive…
não nasceu nada
nada aconteceu
e dentro de mim
cresceu a angústia
o gesto senil
a mágoa
e o desespero,
quis de mim
um poema
mas não é assim
para escreve-lo
é preciso senti-lo
e eu apenas quis fazer o poema
que órfão
passeava na minha mente
perdido
esquecido
e eu apenas o aprisionei
torturei-o
e no fim
matei-o…
Fiz um poema
para o poder sepultar…

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

A Dois


(Foto de: Tom Menegatos)

A dois,
iludimos as vontades alheias
e fazemos o nosso desejo acontecer…
Os gemidos,
soltos, das nossas bocas
os teus seios que anseiam
pelas minhas mãos
num toque quase suave…
onde te brindo com um beijo.
A dois,
esquecemos o mundo
entre carícias sedutoras
embelezamos o desejo
com os gestos ofegantes
das loucuras dos nossos corpos.
A dois,
Embriagamos o tempo
com o sémen
do nosso prazer.

O teu olhar pede paz…
e permite que o mundo acabe já!

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Querida! Mudei de casa…

Hoje mudei de casa… No silêncio da noite numa estrada imaginária, fiz o meu caminho, para a minha nova casa pintada de verde, e bem iluminada, que é por uns tempos não será só minha. Viverei cada momento da sua construção, sentirei cada nova alteração que receba e estarei sempre por perto, neste humilde lugar que cria momentos empenhados e sorri para a esperança com a certeza de que um dia o desejo se cumprirá. Todos podemos mudar de casa, nesta época, se essa casa for como a minha, uma linda árvore de Natal.
Querida! Não te preocupes… Eu, todos anos, volto sempre!

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

III Encontro do Luso-poemas / Lançamento da Antologia


Convidamos todos os luso-poetas a estarem presentes no III encontro do Luso-Poemas a realizar no próximo dia 13 de Dezembro, em Lisboa.
Pretende-se, mais uma vez, passar do virtual ao real, permitindo que as pessoas por detrás dos avatares se conheçam. Quem já participou nos encontros anteriores sabe o quão gratificante pode ser. E sabe o quanto nos divertimos.
Este encontro reveste-se duma roupagem especial. Sob a chancela da Edium Editores será lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores que publicam no nosso site.

Lista de Poetas da Antologia da Luso-poemas 2008



Alemtagus
Betha M Costa
Carla Costeira
Carlos Carpinteiro
Carlos Said
Carolina
Cleo
Conceição B
Daniela Pereira
Expanta
Flávio Silver
Fly - Marta
freudnãomorreu
Gilberto
Godi
Goretidias
Henrique Pedro
João Filipe Ferreira
João Videira Santos
José Torres
Júlio Saraiva
Karla Bardanza
Le Tab
Ledalge
Luís Ferreira
Margarete
Maria Sousa
Mel de Carvalho
Noite
Paulo Afonso Ramos
Pedra filosofal
Rosa Maria Anselmo
Sandra Fonseca
Tália
TrabisdeMenta
Tytta
Valdevinoxis
Vera Carvalho
Vera Silva


Convidamos, por isso, todos os utilizadores e seus acompanhantes, a estarem presentes neste III encontro.
O programa promete. Tudo foi pensado e tratado atempadamente, por isso deixamos a informação que nos parece importante:

Informações adicionais
Dia
13 Dezembro 2008

Local
Campo Grande nº 56 em Lisboa

Como chegar
Autocarros – 36, 21, 45, 38
Metro/Comboio – Estação de Entrecampos

Mapa
http://codigopostal.ciberforma.pt//codigo_postal.asp?n=109684

Programa

11h30 – Recepção

12h30 – Almoço (será de € 11,50 por pessoa)

15h – Apresentação da Antologia

17h – Porto de honra

20h – Jantar (sítio a escolher em Lisboa, no próprio dia, sem compromissos)